segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Maior razão .

Estive a ler as nossas conversas . Nem me apetece ir dormir . Como pode o que sinto ser tão bonito? Como podes ser tu tão bonito? Como podiam ser as palavras tão bonitas e eu não as soube aproveitar? Como posso ter tanta beleza dentro de mim, compactada em memórias de ti? Disseste coisas que hoje não reconheceria na tua boca . Falaste, mostraste um lado, que só eu devo conhecer-te . Foste leal, foste sincero como eu não fui contigo . Disse-te que não sentia nada, para além da minha percepção actual dos pequenos grandes erros cometi . E podíamos ter sido tão felizes . Eu podia ter mudado o destino . Tive os dados na mão, e com toda a pressa que tinha, não os soube lançar . Mas o descontrolo, a ansiedade, a (demasiado) rápida forma de agir que peço que me perdoes, foram apenas resultado do que sinto e sentia por ti . Não foram por maldade ou vingança, foram, simplesmente porque te amo . Podia resumir toda a nossa história numa palavra, que seria sem dúvida amo-te, mas como concluo que um amo-te não chega, que o melhor amo-te não chega, como nada chega para nos/te definir, procuro sempre milhares de novas palavras, que escrevo todos os dias, que saem da forma mais espontânea e veloz possível, apenas com o objectivo de descarregar algo do meu sofrer, e mostrando que sim, após todos estes meses, eu amo-te de verdade, amo-te como no principio, amo-te como no primeiro olhar, amo-te como no nosso primeiro beijo . Usaste tantas vezes a expressão “da próxima vez”, disseste “por respeito a ti”, nomeaste tantas vezes um “sim” quando eu os queria ouvir . Não falaste de algumas pessoas porque eu não gostava . Deixavas-me solto o pensamento livre, e tinhas as brincadeiras mais deliciosas de sempre. Aquelas que, também por serem tuas mas não só, me fizeram decerto sorrir com vontade, com amor, com a maior felicidade . Agora quando as leio, sorrio igualmente . Com a mesma vontade . Mas o sentimento, algo muda . Continua a ser felicidade sim, mas agora, essa trás aquele pequeno grande apêndice que eu não queria nunca ter de aplicar a ti, a nós: a saudade . A intensidade do sorriso e a sua duração, perdem-se um pouco, não obstante as lágrimas que querem sair, sem eu perceber bem se de felicidade por te ter tido, ou de tristeza por já não te ter . Mas agora, até elas já perderam por vezes a força para escorrer pela minha face . Sim, elas já caíram hoje, como quase todos os dias, mas não agora . Não agora enquanto leio estas nossas conversas, que me trazem de volta o teu primeiro "eu" que conheci . Aquele por quem me apaixonei . Aquele que não vejo há meses . Aquele que só eu conheço, mas que existiu e existe, a perfeição oculta por ti, debaixo da tua habitual frieza . Não me apaixonei só por esse teu "eu", aliás, esse foi aquele "eu" pelo qual me apaixonei inicialmente, porque mais tarde, acabei por apaixonar-me por todos os teus “eu’s”, bons ou maus, por todos os teus defeitos . Ainda hoje, amo-te mais que no início, mesmo que só possa encontrar defeitos em ti (que não é bem o caso), ocultando qualquer qualidade em cada momento em que nos cruzamos no nosso dia-a-dia . Eu sei que as qualidades estão lá, debaixo dessa tua capa de duro e intocável . Elas estão lá, visíveis ou não, estão lá . Vejo-as no passado, e quando olhos nos teus ollhos, sinto-as no presente . Independentemente disso, do teu orgulho, frieza, de todo o mal que digam, ou dos erros que cometas, a base não muda, ela fica mais sólida, e eu amo-te mais solidamente . É impossível amar mais que isto, por isso orgulho-me de tudo . Caguei para o sofrer . Acredita que tu, e o que eu sinto e digo aqui, são o meu maior orgulho, desde há uns meses atrás . Orgulho-me de tudo . Orgulho-me de ti . Sempre de ti, minha maior razão, meu maior orgulho .

P.S.: Como puderam as tuas palavras mudar tanto?

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