Cucu.
Kinda lucky
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Talvez não sejamos suficientemente agradecidos por tudo aquilo que temos. Ou talvez seja apenas eu, uma vivente mal agradecida que tão grata pensa que se encontra. Isto porque numas vezes não temos nada daquilo que queremos, noutras achamos que não temos, e noutras não sabemos mais o que querer. Começo a achar demasiado egoísta da nossa parte fazê-lo (continuarei a falar no plural, porque mais uma vez e estupidamente, a colectividade faz sempre a nossa consciência sentir-se um tanto menos culpada). Sempre que há algo que nos persegue porque nos faz falta, no fim não sei quanta me falta faz. Na verdade, não sei se a faz muito daquilo que queremos ter.
E esperamos por um dia, em que depois agradeceremos aos deuses, as nossas pequenas epifanias quotidianas. Esse dia chega, e de que interessa tudo aquilo que quisémos para trás, quando a vida se foca em determinados pontos de felicidade muito específicos. Pontos específicos, com vida própria, com dúvidas como as nossas, os mesmos colectivos desejos, e talvez um dia a sorte de uma epifania que lhes baste.
Os nossos verdadeiros desejos, acabam por ser todos aqueles que não desejámos. Aqueles que incomensuravelmente amamos, sem que lhe digamos, nem a nós próprios. São aqueles, com que nos cruzamos todos os dias. Aqueles que muitos de nós têm a verdadeira sorte de ter. Os que nos passam a mão sobre o ombro que nós sacudimos. Os que nos dão conselhos e nós chamamos de chatos mil vezes, ou que nos repreendem daquilo ou do outro. São aqueles que nos trocaram as fraldas, que nos deram comer na boca, que dormiram connosco nos dias de trovoada. Aqueles que foram nossos colegas de carteira na escola, aqueles que nos ensinaram muito do que sabemos do lado de lá da nossa carteira. Aqueles de quem tínhamos medo porque nos davam trabalhos e nos deixavam sobre constante avaliação. Aqueles que nos abraçaram, defenderam e apoiaram, nem sempre da mesma forma, nem sempre especificamente bem mas nunca mal, e que encontrámos ao longo da vida, num banco numa rua qualquer, ou noutro sítio tão géneris quanto esse. São esses os nossos pontos de felicidade por desejar. São eles o limite do egoísmo que o ser humano pode alcançar. Aqueles a quem tratamos com frieza porque sabemos que não nos vão deixar, e que exactamente por isso, sempre devíamos ter desejado; e depois daquela epifania estranha, cada um deles é um grande pedaço, farfalhudo e fofinho de orgulho e felicidade. E sem dar por isso, são eles quem e o que realmente tivémos sem mais precisar de desejar. São eles o que devemos agradecer todos os dias, e o único pedido para cada um dos nossos dias. São eles quem queremos manter sempre na nossa vida, e deixar partir apenas um de cada vez, dos mais velhos para os mais novos, até chegar a nossa vez e que alguém o faça por nós. É nesse tempo entre separações e despedidas, que devemos aproveitar cada um deles com o máximo de coração. É neles que está a nossa felicidade de todos os dias, que a inteligência humana tanto tarda a interceptar. E mesmo assim, o quão sortudos somos; por melhor que sejam, é pequena a vida para dizer que já temos todos aqueles que tanto poderíamos desejar. Eles são bons, e podem vir sempre a ser mais. Assim sendo, não sei como ainda assim, conseguimos viver tão insatisfeitos. Eu cá por agora agradeço aos meus. A eles e à perspicácia momentânea, que me disse porque consigo ser tão pouco grata mas tão feliz.
Acabamos por um dia, agradecer a todos eles. Ou por esperar sempre, que eles compreendam como nós compreendemos, o quanto gostamos muito deles e quanto lhes estamos agradecidos. Eu tenho muito quem me tenha dado muito, mas não mais do que mereço. Ninguém tem limites de mérito, e todos que me deram qualquer que fosse a coisa a mim, nunca o mediram também. De qualquer forma, chega um muito obrigado honesto que digamos para nós próprios. Dentro do sistema circulatório, algo bombeia o nosso sangue, e não nos faz parar. E é isso que lhes devemos a eles. Pontos de felicidade vivos que nos rodeiam, por laços de sangue ou por laços nenhuns. Amor só porque sim. Afinal de contas, é a eles que pelo menos eu, devo todo o meu coração.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Para o ano, nem sei como vai ser. Estudar fora parece muito giro. Aliás, para alguém que tanto quis ansiosamente ir para fora toda a vida, estudar noutro sítio era o lado bom mesmo. O pior, é quando há sonhos enormes para trás. Vêm os de sempre adiante, e se calhar, ter os dois em simultâneo não poderá ser linear. Aí já nem tudo é bom. Todos queremos os sonhos da vida inteira para ser felizes. Mas há pessoas sem as quais, em qualquer parte do mundo nunca poderemos ser felizes.
E hajam os quilómetros que houver pelo meio, se um dia tiver de ser, nada nos vai separar.
segunda-feira, 19 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Vi um blogue em que uma rapariga escreveu 50 factos sobre si. Como gosto de me esticar, e nem eu própria me entendo muito bem, acho que preciso de pelo menos 100 para começar por algum lado.
#0 - Saliento que um dia vou morar em Londres .
#1 - Irrita-me bastante ser baixa. Excessivamente até, excepto quando isso se torna conveniente para usar saltos muito altos.
#2 - O meu cabelo é liso, mas tem demasiado volume. Se quiser sair de casa sem parecer um leão, tenho de esticá-lo.
#3 - Sou alérgica a penicilina, e quando tenho amigdalites (que acontecem muitas vezes) ou outras coisas nojentas e semelhantes, em vez de levar uma injecção maravilhosamente curativa como vocês, ando 10 dias com febre, a tomar antibióticos gigantes para alérgicos (normalmente coloridamente atractivos, tipo amarelo fluorescente ou laranja. Menos mal).
#4 - Já fui completamente viciada em música metal. A ponto de não ouvir mais nada na minha vida (todos tivemos boas fases).
#5 - A acne apareceu-me muito tardiamente. Acreditem, isto é um pesadelo quando surge na transição para a fase adulta.
#6 - As pessoas normais fazem 6 refeições por dia. Eu faço 12, porque o dobro é giro (adoro comida).
#7 - Sou a única rapariga que conheço que tem uma guitarra eléctrica (really bitches?).
#8 - O meu perfume preferido é o Mango original, mas também adoro BU e 212.
#9 - Ao contrário das outras pessoas que só gostam da vertente prática da música, eu adoro vasculhar os meus livros de solfejo.
#10 - Sou do mais viciado que já vi em internet, e essa é uma das coisas que mais detesto em mim. Há coisas muito melhores para passarmos o tempo.
#11 - Acho que a saga mais maravilhosa alguma vez escrita, foi Harry Potter.
#12 - Tenho quase 18 anos, e nunca apanhei uma bubedeira (não gosto de beber nada; nem água, quanto mais alcoól, nunca bebi o suficiente para chegar aí).
#13 - Não sobrevivo sem telemóvel (sem moche idem), e envio em média 200 sms por dia, mas às vezes odeio-o e não olho para ele um dia inteiro.
#14 - Comecei a aprender piano com 5 anos, e tive aulas particulares com dois professores diferentes até aos 14 anos.
#15 - Amo roupa vintage. Se pudesse, só tinha roupa com rendas, flores, e cores velhas (um dia compro todo o stock do polyvore).
#16 - Tenho muitas contas em redes sociais, e não utilizo um terço delas.
#17 - Adoro sapatos altos, clássicos, de verniz ou veludo.
#18 - Abomino música espanhola em 99,999999% dos casos (ainda espero que alguma música nesse idioma me surpreenda um dia destes).
#19 - Calço o 36 (hoje em dia as raparigas têm o pé muito maior, mas eu gosto do meu número. é mais sexy bitch).
#20 - Se pudesse, tinha uma biblioteca gigante e lia todos os livros.
#21 - Faço coleccção de livros de banda desenhada desde pequena. Gasto todo o meu dinheiro nisso em papelarias sempre que posso, mas o melhor é quando tenho oportunidade de os comprar em feiras em segunda mão, ou terceira ou sabe-se lá qual. Devo ter a impressão interior, que os livros velhos carregam sempre mais sabedoria, ou é só o cheiro do papel desgastado a apaixonar-me perdidamente (sou deveras apaixonada por eles, e tenho mais 100 volumes).
#22 - Normalmente, só gosto de comprar DVD’S originais, mas toda a música que tenho no pc (quase 10000 músicas) é pirateada.
#23 - Odeio que arrotem ao pé de mim (factos interessantes, bem sei).
#24 - A minha mãe tem de ter sempre 5 marcas diferentes de manteiga em casa, porque utilizo especificamente uma para cada tipo de sandes/tosta/torrada, e se não houver a marca que preciso para uma determinada sandes, sinto-me tremendamente frustrada.
#25 - Toco guitarra há 3 anos.
#26 - Odeio posers, e nunca toco piano ou guitarra em público.
#27 - Odeio talheres cruzados (e chateio-me a sério quando o fazem à minha frente) tenho medo de noites de lua cheia, não passo debaixo de escadotes, detesto guarda-chuvas abertos dentro de paredes, cuspo quase sempre que vejo um gato preto, entre outros; resumidamente, sou muito supersticiosa, mas não ligo a sextas-feiras 13 (irónico).
#28 - Se pudesse, andava todos os dias durante horas de bicicleta em sítios muito verdes.
#29 - Sou muito preguiçosa e não ajudo em nada nas tarefas domésticas.
#30 - Só ligo a tv para ver filmes e noticiários (de preferência políticos).
#31 - Os meus carros preferidos são o Wolkswagen Passat TDI, a Nissan Qashqai e o BMW X6.
#32 - Adoro coisas que já odiei e odeio coisas que já adorei.
#33 - Já fui muito amiga de pessoas por quem passo e já nem falo.
#34 - Sou egoísta não com objectos, mas com a aproximação dos outros àqueles que me são próximos.
#35 - Nunca faço a minha cama.
#36 - Tenho muitos complexos comigo mesma. Nunca vou às piscinas no verão.
#37 - Sou extremamente claustrofóbica. Andar de avião é um castigo, morria se ficasse fechada nalgum lado, não ando de metro, e deixo de fazer muitas coisas que gosto por causa disso.
#38 - Gostava muito de estudar na Universidade Católica.
#39 - Sou filiada na JSD de Vila Viçosa.
#40 - Nasci em Évora porque não tinha alternativa, mas moro em Borba desde sempre.
#41 - Tenho medo de sótãos e outros sítios escuros, e frios.
#42 - Sou muito distraída, e já perdi dinheiro, telemóveis, casacos, malas, documentos e outras coisas por tudo quanto é sítio.
#43 - Não há nenhum sábado em que não tenha saído há noite desde há 3 anos para cá. Nenhum.
#44 - Tenho muitas dores nos joelhos sempre que muda o tempo. Acho que estou pior que os velhos.
#45 - Gosto muito de vans. Se pudesse, tinha um par de cada cor, em todos os tons possíveis e imaginários, com todos os padrões de flores que encontrasse.
#46 - Odeio estar rouca, porque adoro cantar.
#47 - Gostava de entrar para o conservatório, para voltar a ter aulas de piano, e para aprender violino (bom era ter um stradivarius, mas 100000 euros está fora de questão. Só se vendesse a casa).
#48 - Só consigo dormir com a minha almofada. Levo-a sempre que durmo fora.
#49 - Sou contra 99% das políticas de esquerda, porque me recuso a que me tapem os olhos com utopias sem sentido em que já ninguém deveria acreditar, mas respeito as opções dos outros.
#50 - As palavras dos outros magoam-me muito facilmente. E isso é proporcional ao quanto eu gostar da pessoa em causa.
#51 - Adoro cães com todas as minhas forças, e se pudesse, tinha mil.
#52 - Gostava de ir todos os meses visitar o Jardim Zoológico.
#53 - Odeio internet móvel, é lenta, e estúpida.
#54 - Acho que um dos portugueses mais inteligentes que já ouvi falar é o Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Se todos tivessem a sua capacidade de avaliação dos factos e argumentativa, teríamos um país cheio de pessoas mais úteis.
#55 - Nunca consegui aprender a andar de patins, mas gostava. Na verdade sou um desastre, e penso sempre que vou partir uma perna sempre que meto em cima de uns.
#56 - Quanto mais depressa tirar a carta de condução melhor. Afinal de contas ela sempre significa mais independência, e é mesmo isso que eu gosto de ter; quanto mais a tiver claro, melhor.
#57 - Sou católica mais ou menos praticante. De qualquer forma, a fé não é proporcional ao número de vezes que pisamos a igreja.
#58 - Não fiz o crisma por preguiça. Acho que vou ter de ir fazê-lo para a próxima vez mesmo a sério, acho.
#59 - Não gosto de telemóveis pretos, e odeio quando o modelo que eu quero só existe nessa cor.
#60 - Estraguei o meu portátil quando ele tinha 5 ou 6 meses, e a minha mãe nunca mais me deu um para me castigar. Apoderei-me do da minha irmã.
#61 - A minha loja de roupa preferida é a Zara.
#62 - Adoro chapéus de aba larga, mas não tenho nenhum.
#63 - O meu IMC é 19,9.
#64 - Não uso bijuteria a não ser que o rei faça anos, ou me dê na cabeça em começar a gostar novamente de uma coisa que já odiei (como já referi, não era a primeira vez que acontecia).
#65 - Quando era pequena adorava a minha enorme pista de carros e sempre quis um carro telecomandado, mas a minha mãe achava coisa de rapaz, e não me deu nenhum.
#66 - Quando a minha irmã era pequenita, desloquei-lhe um braço, parti-lhe o outro, e numa outra vez, parti-lhe os dentes da frente no dia dos anos dela. Era um bocado animal sim, mas acho que as duas vezes foram sem essa intenção. O feito é que saiu maior que a encomenda.
#67 - Sempre fui prejudicada nas notas pelo comportamento na sala de aula.
#68 - Sou muito orgulhosa e impulsiva.
#69 - Escrevo muito. Muito mesmo. Dantes tinha diários, mas deixei-me disso. Tenho um blogue, e há fases em que vou lá todos os dias, outras em que não vou lá sequer para o ver. Actualmente, não lhe pego. Tenho preferido as folhinhas brancas de papel para dizer o que quero.
#70 - Às vezes, gosto de escrever na terceira pessoa.
#71 - Adoro o Carnaval.
#72 - Falo pelos cotovelos.
#73 - Tenho muito mau génio às vezes, e sou arrogante para as pessoas sem querer. No entanto, nunca me brigo com ninguém. Odeio ser bruta para os meus amigos, mas sou muitas vezes para a minha mãe.
#74 - Não gosto de desportos individuais. Odeio atletismo. Badminton até é engraçado.
#75 - Gostava de ter um canal no youtube, com muitas visualisações, mas não consigo cantar à porta de casa quanto mais na internet (ando a trabalhar nesse sentido).
#76 - Às vezes tenho um enorme complexo de inferioridade, e o meu ego fica tamanho de uma pulga.
#77 - Gostava muito de fazer danças de salão, mas nunca tive oportunidade.
#78 - Odeio instrumentos de sopro. Só gosto de cordas e teclas. Dos primeiros, adoro apenas um, saxofone.
#79 - Oiço música com o som muito alto.
#80 - Não passo um dia sem comer sopa. Ao almoço, ao jantar. E às vezes repito. E às vezes como ao lanche até.
#81 - Sou viciada em chocolate.
#82 - Os meus actores preferidos são o Jared Padalecky, Rowan Atkinson (Mr Bean).
#83 - Odeio química, até física é melhor.
#84 - Estou na área de ciências, mas gostava de seguir um curso de letras.
#85 - O sonho da minha vida é morar em Londres.
#86 - Um dia vou tocar na tua.
#87 - Meto perfume excessivamente, e o cheiro é uma coisa que me atrai especialmente nos rapazes.
#88 - Não gosto de José Rodrigues dos Santos. Descreve tudo muito excessivamente. Mas adoro profundamente Dan Brown.
#89 - Odeio sofás cheios de almofadas. Até me passo com a minha mãe com a mania de tanto efeito decorativo.
#90 - Já não tenho grande paciência para montar a árvore de Natal, mas não suporto Natal sem uma (enorme, de preferência).
#91 - Sou extremamente perfeccionista.
#92 - Às vezes faço coisas, demasiadamente arriscadas só para rir, das quais até eu tenho medo. Acho que nessas alturas, até os meus amigos têm medo de mim; sempre fui louca, e isso faz-nos bem, vou ser sempre assim loucura rulles, btw.
#93 - Não gosto de gatos, são falsos. Não gosto que se rocem nas coisas, e metem-me um bocado de medo. Quanto mais longe melhor.
#94 - Odeio filmes de terror. Adoro comédias.
#95 - Tenho um sinal cor de rosa, que fica vermelho quando estou nervosa, com alergia ou com febre.
#96 - Tenho crises de ansiedade às vezes. Na mudança de idade tive muitas.
#97 - Uma vez tomei um actifed, ia a andar e a falar, pensava que ia desmaiar e deixei-me dormir contra a parede.
#98 - Um dia quero viajar, muito.
#99 - Gostava de ter três filhos. A Maria Beatriz, o Salvador, e o Guilherme e quando me casar, quero ter um vestido enorme. Sempre fui pirosa, mas o vestido, quer-se grande e armado mesmo.
#100 - Já estou a dar seca, ninguém vai ler isto. Depois, meto mais 100.
#1 - Irrita-me bastante ser baixa. Excessivamente até, excepto quando isso se torna conveniente para usar saltos muito altos.
#2 - O meu cabelo é liso, mas tem demasiado volume. Se quiser sair de casa sem parecer um leão, tenho de esticá-lo.
#3 - Sou alérgica a penicilina, e quando tenho amigdalites (que acontecem muitas vezes) ou outras coisas nojentas e semelhantes, em vez de levar uma injecção maravilhosamente curativa como vocês, ando 10 dias com febre, a tomar antibióticos gigantes para alérgicos (normalmente coloridamente atractivos, tipo amarelo fluorescente ou laranja. Menos mal).
#4 - Já fui completamente viciada em música metal. A ponto de não ouvir mais nada na minha vida (todos tivemos boas fases).
#5 - A acne apareceu-me muito tardiamente. Acreditem, isto é um pesadelo quando surge na transição para a fase adulta.
#6 - As pessoas normais fazem 6 refeições por dia. Eu faço 12, porque o dobro é giro (adoro comida).
#7 - Sou a única rapariga que conheço que tem uma guitarra eléctrica (really bitches?).
#8 - O meu perfume preferido é o Mango original, mas também adoro BU e 212.
#9 - Ao contrário das outras pessoas que só gostam da vertente prática da música, eu adoro vasculhar os meus livros de solfejo.
#10 - Sou do mais viciado que já vi em internet, e essa é uma das coisas que mais detesto em mim. Há coisas muito melhores para passarmos o tempo.
#11 - Acho que a saga mais maravilhosa alguma vez escrita, foi Harry Potter.
#12 - Tenho quase 18 anos, e nunca apanhei uma bubedeira (não gosto de beber nada; nem água, quanto mais alcoól, nunca bebi o suficiente para chegar aí).
#13 - Não sobrevivo sem telemóvel (sem moche idem), e envio em média 200 sms por dia, mas às vezes odeio-o e não olho para ele um dia inteiro.
#14 - Comecei a aprender piano com 5 anos, e tive aulas particulares com dois professores diferentes até aos 14 anos.
#15 - Amo roupa vintage. Se pudesse, só tinha roupa com rendas, flores, e cores velhas (um dia compro todo o stock do polyvore).
#16 - Tenho muitas contas em redes sociais, e não utilizo um terço delas.
#17 - Adoro sapatos altos, clássicos, de verniz ou veludo.
#18 - Abomino música espanhola em 99,999999% dos casos (ainda espero que alguma música nesse idioma me surpreenda um dia destes).
#19 - Calço o 36 (hoje em dia as raparigas têm o pé muito maior, mas eu gosto do meu número. é mais sexy bitch).
#20 - Se pudesse, tinha uma biblioteca gigante e lia todos os livros.
#21 - Faço coleccção de livros de banda desenhada desde pequena. Gasto todo o meu dinheiro nisso em papelarias sempre que posso, mas o melhor é quando tenho oportunidade de os comprar em feiras em segunda mão, ou terceira ou sabe-se lá qual. Devo ter a impressão interior, que os livros velhos carregam sempre mais sabedoria, ou é só o cheiro do papel desgastado a apaixonar-me perdidamente (sou deveras apaixonada por eles, e tenho mais 100 volumes).
#22 - Normalmente, só gosto de comprar DVD’S originais, mas toda a música que tenho no pc (quase 10000 músicas) é pirateada.
#23 - Odeio que arrotem ao pé de mim (factos interessantes, bem sei).
#24 - A minha mãe tem de ter sempre 5 marcas diferentes de manteiga em casa, porque utilizo especificamente uma para cada tipo de sandes/tosta/torrada, e se não houver a marca que preciso para uma determinada sandes, sinto-me tremendamente frustrada.
#25 - Toco guitarra há 3 anos.
#26 - Odeio posers, e nunca toco piano ou guitarra em público.
#27 - Odeio talheres cruzados (e chateio-me a sério quando o fazem à minha frente) tenho medo de noites de lua cheia, não passo debaixo de escadotes, detesto guarda-chuvas abertos dentro de paredes, cuspo quase sempre que vejo um gato preto, entre outros; resumidamente, sou muito supersticiosa, mas não ligo a sextas-feiras 13 (irónico).
#28 - Se pudesse, andava todos os dias durante horas de bicicleta em sítios muito verdes.
#29 - Sou muito preguiçosa e não ajudo em nada nas tarefas domésticas.
#30 - Só ligo a tv para ver filmes e noticiários (de preferência políticos).
#31 - Os meus carros preferidos são o Wolkswagen Passat TDI, a Nissan Qashqai e o BMW X6.
#32 - Adoro coisas que já odiei e odeio coisas que já adorei.
#33 - Já fui muito amiga de pessoas por quem passo e já nem falo.
#34 - Sou egoísta não com objectos, mas com a aproximação dos outros àqueles que me são próximos.
#35 - Nunca faço a minha cama.
#36 - Tenho muitos complexos comigo mesma. Nunca vou às piscinas no verão.
#37 - Sou extremamente claustrofóbica. Andar de avião é um castigo, morria se ficasse fechada nalgum lado, não ando de metro, e deixo de fazer muitas coisas que gosto por causa disso.
#38 - Gostava muito de estudar na Universidade Católica.
#39 - Sou filiada na JSD de Vila Viçosa.
#40 - Nasci em Évora porque não tinha alternativa, mas moro em Borba desde sempre.
#41 - Tenho medo de sótãos e outros sítios escuros, e frios.
#42 - Sou muito distraída, e já perdi dinheiro, telemóveis, casacos, malas, documentos e outras coisas por tudo quanto é sítio.
#43 - Não há nenhum sábado em que não tenha saído há noite desde há 3 anos para cá. Nenhum.
#44 - Tenho muitas dores nos joelhos sempre que muda o tempo. Acho que estou pior que os velhos.
#45 - Gosto muito de vans. Se pudesse, tinha um par de cada cor, em todos os tons possíveis e imaginários, com todos os padrões de flores que encontrasse.
#46 - Odeio estar rouca, porque adoro cantar.
#47 - Gostava de entrar para o conservatório, para voltar a ter aulas de piano, e para aprender violino (bom era ter um stradivarius, mas 100000 euros está fora de questão. Só se vendesse a casa).
#48 - Só consigo dormir com a minha almofada. Levo-a sempre que durmo fora.
#49 - Sou contra 99% das políticas de esquerda, porque me recuso a que me tapem os olhos com utopias sem sentido em que já ninguém deveria acreditar, mas respeito as opções dos outros.
#50 - As palavras dos outros magoam-me muito facilmente. E isso é proporcional ao quanto eu gostar da pessoa em causa.
#51 - Adoro cães com todas as minhas forças, e se pudesse, tinha mil.
#52 - Gostava de ir todos os meses visitar o Jardim Zoológico.
#53 - Odeio internet móvel, é lenta, e estúpida.
#54 - Acho que um dos portugueses mais inteligentes que já ouvi falar é o Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Se todos tivessem a sua capacidade de avaliação dos factos e argumentativa, teríamos um país cheio de pessoas mais úteis.
#55 - Nunca consegui aprender a andar de patins, mas gostava. Na verdade sou um desastre, e penso sempre que vou partir uma perna sempre que meto em cima de uns.
#56 - Quanto mais depressa tirar a carta de condução melhor. Afinal de contas ela sempre significa mais independência, e é mesmo isso que eu gosto de ter; quanto mais a tiver claro, melhor.
#57 - Sou católica mais ou menos praticante. De qualquer forma, a fé não é proporcional ao número de vezes que pisamos a igreja.
#58 - Não fiz o crisma por preguiça. Acho que vou ter de ir fazê-lo para a próxima vez mesmo a sério, acho.
#59 - Não gosto de telemóveis pretos, e odeio quando o modelo que eu quero só existe nessa cor.
#60 - Estraguei o meu portátil quando ele tinha 5 ou 6 meses, e a minha mãe nunca mais me deu um para me castigar. Apoderei-me do da minha irmã.
#61 - A minha loja de roupa preferida é a Zara.
#62 - Adoro chapéus de aba larga, mas não tenho nenhum.
#63 - O meu IMC é 19,9.
#64 - Não uso bijuteria a não ser que o rei faça anos, ou me dê na cabeça em começar a gostar novamente de uma coisa que já odiei (como já referi, não era a primeira vez que acontecia).
#65 - Quando era pequena adorava a minha enorme pista de carros e sempre quis um carro telecomandado, mas a minha mãe achava coisa de rapaz, e não me deu nenhum.
#66 - Quando a minha irmã era pequenita, desloquei-lhe um braço, parti-lhe o outro, e numa outra vez, parti-lhe os dentes da frente no dia dos anos dela. Era um bocado animal sim, mas acho que as duas vezes foram sem essa intenção. O feito é que saiu maior que a encomenda.
#67 - Sempre fui prejudicada nas notas pelo comportamento na sala de aula.
#68 - Sou muito orgulhosa e impulsiva.
#69 - Escrevo muito. Muito mesmo. Dantes tinha diários, mas deixei-me disso. Tenho um blogue, e há fases em que vou lá todos os dias, outras em que não vou lá sequer para o ver. Actualmente, não lhe pego. Tenho preferido as folhinhas brancas de papel para dizer o que quero.
#70 - Às vezes, gosto de escrever na terceira pessoa.
#71 - Adoro o Carnaval.
#72 - Falo pelos cotovelos.
#73 - Tenho muito mau génio às vezes, e sou arrogante para as pessoas sem querer. No entanto, nunca me brigo com ninguém. Odeio ser bruta para os meus amigos, mas sou muitas vezes para a minha mãe.
#74 - Não gosto de desportos individuais. Odeio atletismo. Badminton até é engraçado.
#75 - Gostava de ter um canal no youtube, com muitas visualisações, mas não consigo cantar à porta de casa quanto mais na internet (ando a trabalhar nesse sentido).
#76 - Às vezes tenho um enorme complexo de inferioridade, e o meu ego fica tamanho de uma pulga.
#77 - Gostava muito de fazer danças de salão, mas nunca tive oportunidade.
#78 - Odeio instrumentos de sopro. Só gosto de cordas e teclas. Dos primeiros, adoro apenas um, saxofone.
#79 - Oiço música com o som muito alto.
#80 - Não passo um dia sem comer sopa. Ao almoço, ao jantar. E às vezes repito. E às vezes como ao lanche até.
#81 - Sou viciada em chocolate.
#82 - Os meus actores preferidos são o Jared Padalecky, Rowan Atkinson (Mr Bean).
#83 - Odeio química, até física é melhor.
#84 - Estou na área de ciências, mas gostava de seguir um curso de letras.
#85 - O sonho da minha vida é morar em Londres.
#86 - Um dia vou tocar na tua.
#87 - Meto perfume excessivamente, e o cheiro é uma coisa que me atrai especialmente nos rapazes.
#88 - Não gosto de José Rodrigues dos Santos. Descreve tudo muito excessivamente. Mas adoro profundamente Dan Brown.
#89 - Odeio sofás cheios de almofadas. Até me passo com a minha mãe com a mania de tanto efeito decorativo.
#90 - Já não tenho grande paciência para montar a árvore de Natal, mas não suporto Natal sem uma (enorme, de preferência).
#91 - Sou extremamente perfeccionista.
#92 - Às vezes faço coisas, demasiadamente arriscadas só para rir, das quais até eu tenho medo. Acho que nessas alturas, até os meus amigos têm medo de mim; sempre fui louca, e isso faz-nos bem, vou ser sempre assim loucura rulles, btw.
#93 - Não gosto de gatos, são falsos. Não gosto que se rocem nas coisas, e metem-me um bocado de medo. Quanto mais longe melhor.
#94 - Odeio filmes de terror. Adoro comédias.
#95 - Tenho um sinal cor de rosa, que fica vermelho quando estou nervosa, com alergia ou com febre.
#96 - Tenho crises de ansiedade às vezes. Na mudança de idade tive muitas.
#97 - Uma vez tomei um actifed, ia a andar e a falar, pensava que ia desmaiar e deixei-me dormir contra a parede.
#98 - Um dia quero viajar, muito.
#99 - Gostava de ter três filhos. A Maria Beatriz, o Salvador, e o Guilherme e quando me casar, quero ter um vestido enorme. Sempre fui pirosa, mas o vestido, quer-se grande e armado mesmo.
#100 - Já estou a dar seca, ninguém vai ler isto. Depois, meto mais 100.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Não sei se é da cor dos dias, ou se é tudo mesmo que está a mudar. O sol está cada vez mais alto, e as noites cada vez menores. Os dias passam nos calendários, intermitentemente sem parar, e os ponteiros avançam nos relógios, com a mesma vontade com que os vi fazer toda a vida, comendo-nos pedaços inteiros de tempo que a vida nos deu para gastar. E é assim mesmo que o tempo passa por nós, e ficamos todos diferentes. Uns mais altos outros menos. Uns que que abusaram no corte de cabelo ou então mudaram na forma de andar, mas todos foram reinventados pela vida nem que seja mais um bocadinho. De há uns anos para cá, é assim que tem sido. Neste ou naquele, a alma ou o feito, um que abriu, outro que fechou. Aprendemos a crescer uns pelos outros, uns com os outros sempre que a vida nos deixou. Mas no fundo além disto, não menos importante, se olharmos em volta todos crescemos. É esse o grande facto. Todos mudámos e estamos diferentes. Para melhor ou para pior, em cada aspecto, mesmo que muito devagar. Uns mais rudes, outros mais descomplicados, mais humildes, menos infantis à partida. Todos souberam fazer a sua mudança, mas eu não. Não pelo menos no sentido normal, quando tive de. Sabendo que a vida apenas nos dá oportunidades e ponteiros que se movem, calendários que passam e pessoas que mexem, nós temos de aprender a mexer também com a vida e connosco. É por isso que os dias e os minutos nos trazem mais uma ponta de qualquer coisa sempre que nos tocam. Foi assim que todos progrediram. Assim que todos toldaram o que aprenderam, e cresceram de forma proprocional. E é aqui, que eu me torno realmente estranha. Os dias também passaram por mim. Também tenho relógio e calendário. Também cresci, mas mais depressa, e mais de repente. Sempre com a ponta autoritária e infantil do meu nariz, mas às vezes com moral. Também eu cresci, e eles agora também me veêm diferente. Diferente porque todos crescemos, mas a Patrícia não soube fazê-lo. Porque sempre soube como bem queixar-me de tudo, e por mais que agora queixe, agora eu não soube crescer. Agora eu rio demais, agora eu não sei que dia é hoje, agora eu perdi o meu relógio e não quero mais saber que tudo se pague com tempo. Não quero mais, porque agora eu sou sou exageradamente feliz, and it is really cute dude.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Há dias bons também. Aqueles em que não há nada que o ser humano comum se possa queixar, nem no mais profundo do seu ser. Aqueles dos quais nem as minhas permanentes queixas poderiam queixar-se. São dias destes, assim. Cheios de luz, e de calor, mesmo que não seja altura dele. Fora de nós, só há uma temperatura confortável, pessoas apressadas que conseguimos facilmente ignorar, e a luz do sol a beliscar-nos com delicadeza cada poro. Parece que depois, ela chega a qualquer lado de nós, que não sabemos explicar qual. Algures na dimensão de dentro, que possuímos mas no fundo não vemos. Não interessa como, mas é lá que chega a luz da boa disposição, e foi lá que o sol me beliscou.
Quando nada podia ficar melhor que o espírito, há algo que o torna melhor a ele. Parece que nestes dias bons, em que acreditamos que tudo corre bem, tudo corre pelo melhor. Talvez a sorte atraia a sorte, ou então, seja o sol que nos belisca fora de época, uma boa oportunidade de ver o bom que se esconde nos outros dias, em que temos mais sorte do que pensamos.
Depois de chegar, é aquela coisa. A tranquilidade das imagens que os olhos nos trazem, dão para preencher mil janelas do tamanho deste espaço em branco. É aquela satisfação miudinha, que nos preenche todos os espaços vazios, e nunca estivemos tão calmos quanto naquele segundo, porque temos tudo à nossa frente.
A silhueta permanece igualmente inconfundível de costas, recostada sobre a parede. Naquele momento até o sol que lhe belisca o cabelo, torna tudo muito mais simples. E involuntariamente, sorrimos para a sorte outra vez. Em poucos segundos, o que nos belisca não é sol mas carne. Os braços distendem-se rapidamente sobre os nossos ombros, e aquele beijinho na testa faz-nos sentir tanto em casa. São aquelas pontadas agudas de saciedade, que conhecemos tão bem depois de sentir novamente, mas que são tão grandes que antes disso não podemos lembrar direito. E depois, todas as características do corpo atingem o espaço. Sentimos tudo tão macio quanto aquele cabelo, tão claro quanto aquele momento, tão forte quanto aquele abraço. É naqueles segundos, que sabemos que não vai acabar. É aquela nova beliscadela de sol, e sabemos que estamos encandeados, e que a luz nos fechou os olhos, mas que se ao abri-los não acordámos então tudo é verdadeiro. E então, podemos agarrar de novo. Tocar, sentir, e estará lá, de novo para nós, tão certo quanto o sol nos dias em que tem vindo fora de tempo. Mas há uma diferença. Esta sorte, não veio fora de tempo. Segundo nos diz o espírito, veio mais que a tempo, e veio para durar todo o tempo que o espírito lhe conseguir dar. Depois disso, só temos uma enorme felicidade egoísta sobre o corpo. Já se trocam palavras normais, e já parece tão natural gostar quanto na vez antes. É como se cada pedaço de felicidade permanente, fosse difícil decorar em cada momento. Como se precisasse de aprender-se de novo, com ou sem o sol para nos ensinar. E os braços continuam ali em cima. Mais um beijo na testa, e não podemos sentir-nos mais em casa.
É aquela satisfação miudinha. Aquela sensação que nos preenche todos os espaços vazios. Que nos mostra que nunca estivemos tão calmos, porque temos tudo à nossa frente de novo.
Aquela felicidade tão egoísta, que por mais que o português me ajude, nunca vos poderei descrever.
amo-te joão*.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Na verdade, nunca estive tanto tempo sem pegar nas letras, nem que fosse para me queixar um bocadinho. Se isso é uma boa ou má premissa, nem eu vos sei dizer. Que não tenho pegado, não tenho. E esta é uma daquelas coisas que deve dar-nos comichão.Não é de facto justo da minha parte, tê-las talvez usado como quis e não quis, e quando pude desfazer-me delas; a bem dizer, não é desfazer a palavra. É desaprender totalmente a arte, de conseguir ter ponta por onde lhes pegar. Podíamos lançar aqui a máxima, se calhar deixaram de merecer as minhas horas sem fim, por todas as vezes em que de nada me adiantavam; ou talvez agora a mim me façam menos falta, e tivesse deixado eu de as merecer a elas, depois de se terem transferido para o lugar de alguém que precisa mais delas agora que eu.
De facto, ultimamente não preciso de muita coisa. E é bom, voltar às letras dessa forma, para dizer isso mesmo. É como rever um amigo, que não vimos à muito tempo. Um grande amigo, a quem depois de cuja ausência, só temos coisas boas contar. E é por isso que o digo. Pego-lhes de novo um bocadinho, só para anunciar que estou bem. Neste momento,acho que nem as próprias sílabas acreditam. Até elas devem estar agora à espera de uma vírgula, seguida de um "mas" num sítio qualquer, para apontar uma crítica insolente que por mais mimada que seja, me devora insolentemente. Mas não,nada disso. Desta vez, é "estou bem", tudo o que tenho para dizer.
Com o passar dos anos, aprendemos a lidar de forma diferente das coisas. Outra máxima que não sei se considere ou não positiva, mas que de facto, é uma verdade incontestável. Seja isso bom ou mau, uns melhores que outros, porque ficamos mais frios ou mais treinados (esta mais positiva que a anterior), os calos fazem-nos aprender a separar,os verdadeiros problemas dos caprichos adolescentes. Todos um dia chegamos a essa brilhante conclusão (essa sim, mais positiva que as anteriores), e cada um que aprenda a viver com isso. Acho que foi essa a selecção natural que eu fiz. Deixei de precisar das letras,ou pelo menos tanto delas, porque alguém agora me dá todos os dias motivos a mais para sorrir. Mesmo quando as coisas estão mal, é daquelas coisas que nos faz saber que tudo está bem no fundo. E está bem, só porque é assim e pronto.
Às vezes, até gosto desta minha independência dos estados de espíritos assoladores que dominaram toda a vida até agora. Sempre fui uma louca depressiva, suficientemente alegre para ser feliz. Feliz com umas dentadas; com uma ponta de falta disto e daquilo ou do outro. E isso não mudou, não. A insatisfação crónica que às vezes permanece, está mais pequena mas existe. No fundo até fico contente, por conseguir agora moderar o meu feitio.
Pois é,estou bem. Desta vez, já sei mudar algumas coisas. Já não preciso de escrever freneticamente o dia inteiro, já não gosto de música depressiva. Gosto de electrónica e tudo aquilo que mexa no fundo. Estou menos fria, e mais treinada. Um duplo prodígio, eu diria. Gostava de poder manter-me assim,mas confesso que tenho saudades da escrita, que nunca soube fazer,mas que sempre me levou ao colo tão bem. E pronto,vou só repetir que eu estou bem. Se os problemas são pequenos já não lhes ligo; se são caprichos, nem me recordo; se são vontades, às vezes nem sequer as lembro. Ganhei na maneira nova de ver as coisas, porque tudo sabe e se aproveita melhor. Porque o corre mal não conta tanto, e porque a tranquilidade se tornou gradualmente em felicidade permanente. Todos gostamos dos nossos dilemas momentâneos, em que dizemos uma ou outra parvoíce, escrevemos horas a fio, e nunca estamos mesmo bem (todos ou alguns), mas eu fiquei melhor assim. Para trás ficou-me a vontade de escrever. Se calhar, perdeu-se no meio das coisas, das quais nnão precisava tanto assim para viver. Pelo menos, nas coisas que não precisava para viver feliz. Perdeu-se e pronto, vou voltar sempre que puder, e espero que isso me chegue o resto da vida. No fundo não perdi as letras; perdi a loucura que me levava a elas.
Mas sem problema; afinal de contas, crescer é perder certas coisas.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Depois há aqueles dias. Em que nada está bem, em que tudo corre mal portanto, sem meios termos na definição sempre que me perguntam como estão as coisas. Não sou muito hipócrita com essas coisas, nunca fui. O falso estou bem apenas é dirigido em raros dias, a raras pessoas. Na verdade quando está tudo mal, está tudo mal. E mão me importa dizer, porque nada melhora ou piora por os outros saberem.
De facto, não está tudo bem desta vez. Tudo mal também não está, mas anda ali perto. É aquela incerteza parva, aquela dúvida insuportável e agonizante que não suporto do outro lado da questão. De facto, a ligeireza com que a insegurança se espalha nas palavras de alguém, colabora bastante para que uma pergunta pertinente seja respondida e passe em claro. É desta forma que tento fazer as coisas, e por isso não julgo, o que conta a intenção e dali vem a mesma: mas irrita sempre um pouco o insistir inseguro de alguém que não tem motivos nenhuns para pedir contas à vida. Pelo menos, as que nos dizem respeito a nós.
Detesto por isso este vácuo. Este vazio incomodativo que me belisca a pele, e que me puxa pela vontade de bater na mesa e dizer que chega. Não vai acontecer. Continuamos sempre abafados na estúpida bola de ar em que a aura negra nos deixa, e dali nada dá para ver em volta. Às vezes nem sei, se o que nos cega é a aura ou o orgulho.
Pois pequenos. É sempre assim que acontece, e todo o valor nunca chega. O problema é que a mim, sempre custou tanto a falta de valor, como achares novamente uma falsa falta de valor em mim.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Colocou-lhe as mãos sobre os ombros. Era novamente aquele peso sobre o corpo. Aquela pressão pequenina nos tendões, que anunciava a ponta de protecção e atenção que tanto a alimentava ultimamente. Olhou para cima, e sim, está tudo certo. E quando tudo está certo, não há mais nada para dizer.
A felicidade é egoísta e nunca conseguiremos descrevê-la, porque é tão boa que o corpo guarda-la-à (in)voluntariamente sempre só para nós.
A felicidade é egoísta e nunca conseguiremos descrevê-la, porque é tão boa que o corpo guarda-la-à (in)voluntariamente sempre só para nós.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Independentemente do factor tempo. Às vezes, acredito que independentemente de todos e de tudo o resto. Não creio que seja um show off de uma coisa qualquer, nem o início do espectáculo depois de ter fechado, em vez de ter deixado cair o pano. Nada disso. Aprecio, porque tudo é independente, só. Porque os outros deixam de existir, porque os problemas ficam do lado de fora, porque durante algum tempo, o tempo deixa de ser um factor, e sou pela primeira vez verdadeiramente independente. Justamente, independente de tudo o que nos rodeia. Todos aqueles não vivo sem, e todas aquelas coisas que não nos matam mas moem. E no fundo, toda a independência, se cruza com a realidade de que, não sendo o tempo um facto, alguma coisa o tinha de ser. Então a minha independência, torna-se curiosamente na dependência para com alguém. Alguém de quem somos dependentes, para obter a ausência de entraves, quando até o tempo deixa de ser um factor.
Não os podes vencer, junta-te a eles. A independência deixa de ser só para nós, mas é a mesma por si só, mesmo que dividida em duas partes; se bem que demasiado ligadas, para haver distinção dos possessivos meu e teu.
Independentemente do tempo. Passam-se umas horas, uns minutos, mas o relógio falou sempre baixinho para não nos incomodar. É sempre bom baixar os braços, e sentir preguiça antes de estar cansados. Cair sobre tudo o resto com confiança, como naquela sensação de que estamos a mandar-nos para trás sabendo que a outra presença que faz o nosso tempo estalar mais baixo nos vai agarrar antes de cairmos no chão. Depois, é isso e o fresco da temperatura em volta. O tempo que faz pouco barulho, e a respiração quente bem perto, para calar os arrepios que o frio em volta me trás. É toda esta a parte boa. Ser independente até do tempo, sem precisar de mais nada. Sentir que nada me pode chatear, e que estou a ouvir a minha banda preferida até cair. Que estou a ouvir Arctic Monkeys, que caí nos braços da confiança, e que não tenho de me chatear com nada. Porque parece claro que tudo deixa de existir, quando o nosso relógio fala baixinho para não nos incomodar, e quando nem a luz é suficientemente forte para nos ofuscar os olhos.
É bom, antes durante e depois. Sem tempo em nenhuma delas. É bom porque precisamos antes, porque nos enche de vida durante, e porque nos enche de orgulho depois. É bom, simplesmente porque se fecham as portas, as pessoas, os problemas, as coisas, as luzes, as cores, os sons e os ponteiros do outro lado da porta. Nem tão longe assim. Quando até os ponteiros deixam de permitir que o tempo nos incomode, nada pode sequer chegar perto além de nós. E é assim, que não vivemos mais sem. Que os preciso de se tornam demasiado básicos, e que sabemos que no Natal, nada que recebamos será tão bom quanto aquilo que temos todos os dias. É independência dependente, de ser feliz porque sim, de forma básica e indíscutivel como se fosse eu a dona da verdade incontestável. E nem é disso que se trata. Trata-se de quando os momentos começam, ser bom. De durante, ser melhor. E de quando acabam, passar-te a mão no cabelo, e pensar, porra, como pode algo tão grande caber dentro de nós, sabendo que nunca se foi tão feliz.
Às vezes gostava que chegasse mais vezes; e às vezes só gostava que durasse para sempre.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
JPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJPJP.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Os dias correm tão vulgares quanto todos os outros. Tão ásperos e rudes, quanto a forma com que o mundo se levanta com eles. De facto, o estado de espírito, é uma aura imensa. Alastra-se naquilo que é de carne, mas também atinge aquilo que nem dela é composta. Pois é, e desta vez, o estado de espírito quotidiano, tornou-se uma íntegra dos meus dias.
Chove muito hoje. O barulho da chuva, foi sempre e não escondo, um dos maiores prazeres de que me apraz desfrutar. O tic tic miudinho, leve e reconfortante, que tanto contrasta com todo o peso a falta de cor e de espírito que o dia nos traz hoje, devolve-me aquela serenidade que o espírito colectivo do mundo às vezes nos tira. Mas hoje não sei. O céu está demasiado cinzento, e isso não me incomoda. E no fundo, à parte da forma como aura me possa atingir, há algo que me irrita de forma elementar.
Não consigo aceitar estes furos na aura. Estes buracos fundos como poços, criados por um qualquer dos sete pecados mortais. Irrita-me, que tenhamos de fazer coisas mal, e pior, que olhemos para as coisas de forma errada. No fundo, irrita-me agora, que não possa pegar na sombrinha, e limitar-me a sentir a chuva fresquinha, cujo som tanto amo a cair-me na pele eriçada pelo frio. Irrita-me, ser inserida pelos outros, numa aura negra que não pintei. Hoje queria estar bem disposta. O único frio que queria sentir era o da temperatura de inverno que o mundo me proporciona, e pouco mais. Mas o dia está rude, porque o mundo assim quis.
Acho que por mais fortes que devamos ser, não devemos querer fazer tudo depressa. Devemos cair com a mesma força que a chuva agora, mas também saber fazê-lo devagar. E por isso, o adjectivo frio, apenas deveria pertencer à temperatura. Mesmo quando à nossa volta, achamos que tudo está cinzento escuro. Afinal de contas a frieza, é uma defesa pecado demasiado usual.
E por isso, estou irritada. Contribuo agora de maneira integral para esta aura negra como o céu, que com o dia o mundo levantou. E sinto-me injusta. Cúmplice de uma causa pouco nobre, de um egoísmo humano corrente e tão aplicável, que nos agarra a todos de uma só vez. Agora, sou parte deste completo jogo, em que representamos uma colectiva fraca consciência, que estraga de novo o dia. Talvez vivamos infundados na completa insaciedade. É a incapacidade, de fazer tudo bem, e de lidar com esse facto, que pintam a vida mais cinzenta do que o clima pinta o dia. E é triste que ainda assim, continuemos a pintar de cinza os nossos dias, muitos culpando a chuva por isso; encomendar o mal para nós, cozinhado no forno à pressa, mas bem condensado nesta aura que estraga o meu maravilhoso dia de chuva.
E pisei uma poça. Não vou gritar raios parta, nem pregar a todos os pouco sublimes tipos de linguagem de baixo nível, usada por tanto e tão pouco. Vou só rir-me agora, só um pouco. Vou fartar-me de agarrar esta aura contagiante e negra, que estraga o quão belo consegue ser o negro do dia. Este espírito que estraga, o quão bonito pode ser, tudo aquilo que dizemos feio para desculpar os sentimentos frustrantes que alguma vez possuímos. Vou limpar as galochas amarelas que tanto cobicei naquela montra e que tive de comprar, vou empenhar a sombrinha com vitalidade tanto maior, deliciar-me com a cor fluorescente das minhas luvas novas e do lindo impermeável casaco plástico que impregnei na minha indumentária, e esquecer que tenho de ser como os outros. Acredito que um dia, todos saibamos entender, que não temos o direito de saturar o dia, nem de deixá-lo áspero e rude. Espero que todos façam como eu agora, serena e feliz, com as gotas da chuva que o vento faz escapar, guardadas sobre as pestanas, cegando-me da frieza dos outros, que hoje resfria o mundo. Espero assim que um dia destes, não sejamos nós a levantar-nos com o dia frio, mas que seja sim o dia a levantar-se com todos nós, depois de a minha alma se proliferar colectivamente, quentinha e feliz como decidi tê-la agora.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Ultimamente as coisas deixam-me facilmente confusa. Confusa não no sentido literal. Confusa no sentido em que, não me encontro às vezes na minha própria confusão.
Muitas vezes, é esse o verdadeiro problema. Quando o incómodo não é possuir a confusão, mas sim ela possuir-nos. Deixar-nos assim abananados, sem saber como ou por onde andamos. E no fim, andamos na mesma.
É isto o que se passa. Não sei o que ando a fazer. Acho que alimento demasiadas perguntas por minuto, ou talvez apenas me esqueça de que não preciso assim de tantas respostas. No fundo, a dúvida é apenas em que ponto estou eu; se as coisas estão bem, porque não ser completamente feliz. E nestes momentos, sinto-me tão nojentamente humana. A humanidade, é algo que deverá, integrar-nos, de todo. A humanidade claro, enquanto sinónimo de menos frieza e mais altruísmo, mesmo que assim a dor nos pese mais; ou pelo menos, a dor enquanto estado de espírito, porque um quilo de algodão pesa o mesmo que um quilo de chumbo.
O meu problema, é não percebê-los. Não perceber, todos esses estados de espírito que a humanidade nos pode trazer. Ao mesmo tempo que sei que ela deveria ser parte integrante de todos nós, sei que tudo tem pontos maus. E novamente, nem as melhores coisas seriam excepção. É por isso, que me incomoda tanto a felicidade incompleta. Aquela que todos sentimos, quando temos tudo para ser felizes, e não somos. No fundo, é esta a que todos temos. Porque há sempre algo que queríamos e não temos, e somos um tanto menos felizes por isso. Depois, lá vem a consciência. E depois, perco-me. Não me encontro uma e outra vez, e não sei com quantos mais porquês, alimentarei o complexo de complementariedade humana.
Então, é como se todos fôssemos maçãs. Como se todos pudéssemos estar verdinhos e limpos, brilhantes numa árvore bem alta, mas como se todos tivéssemos uma enorme dentada. Não como na Apple. Uma dentada grande, que não nos deixa ser completamente felizes. Então acho que é a consciência, que não nos deixa sê-lo de novo. Acho por isso, que as nossas dentadas, doem porque nós criamo-las sem ajuda de ninguém. Elas partem de nós, veêm-se por fora e por dentro, mas nós não conseguimos apagá-las. Deixam-nos confusos e sufocam-nos, deixando-nos não felizes por estar no cimo da árvore, verdes, limpos e brilhantes, mas tristes e consumidos por um complexo de insuficiência que a estupidez humana não pode deixar de possuir. É triste o egoísmo, de ter o suficiente e haver alguma coisa que nos faz ter de conformar; e ainda mais, o facto de ser a conformidade, a maior dentada nas pessoas felizes.
E todos padecemos assim de insatisfação crónica. Todos somos doentes, uns mais que outros, tendo em conta que me preocupa agora a forma como utilizo a capacidade de pensar. Às vezes somos quase maluquinhos, que já não sabemos o que perguntar a nós próprios. Outras vezes, pensamos que ainda somos só confusos, e no fundo já estamos loucos.
Irrita-me assim, que não consigamos ser felizes. Que a susceptibilidade, em vez de nos fazer respeitar os outros, nos faça querer e temer mais. Irrita-me que sejamos seres das memórias do passado ou do medos alargados de futuro, e que não sejamos suficientemente felizes com o presente; que não nos saibamos contentar em ser tudo e só aquilo que temos.
A humanidade, pois é. Um bem altruísta que todos deviam possuir, e que no fundo, arrebata em demasiado número muita saúde mental. Não por nos deixar mais susceptíveis e preocupados connosco e com os outros. Mas sim pelo medo obcessivo, pelo acontecimento das imagens mentais que a consciência nos exibe de forma tão agridoce. E é dessas perspectivas de futuro que temos medo. Temos medo do que vai acontecer, de que como vamos ficar. Da conotação que temos na vida dos outros principalmente. Temos medo, de deixar de ser uma maçã mordida, para passar a ser apenas uma dentada de alguém. E isto não acontecia se não tivéssemos consciência. Ninguém precisava de ter-nos contado, que as maçãs, também caem, também são mordidas e também apodrecem.
Humanidade -> dúvida -> medo. O que vem por bem, também nos pára.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Depois há aqueles dias. Parece que o coração se sente apertado, e que se vai morrer de saudades antecipadas a um fim que esperamos muito longe. Às vezes nem sei porque sou tão pessimista. Ás vezes só não queria estar a ser uma estúpida enjoada, porque simplesmente tenho um sem fim de patamares de insegurança a buzinar-me aos ouvidos. Deve ser o peso dos dias, em cima da última vez. A última antes de hoje, porque para meu bem, espero que amanhã haja mais. Vou tentar amar-te com moderação, com menos medos, e menores quantidades. Ultimamente, chega a ser tão grande que acho que o amor me sufoca.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Olá pequena. Ultimamente não tenho tido vontade nem cabeça para escrever-te. No entanto, tenho muito para te contar.
Na semana passada, não sei o que fiz. Também gostava de contar-te, mas sabe que a minha distracção, permite-me sempre as coisas de que não me lembro - e ao menos alguma coisa já sabes; a minha cabeça continua no mesmo sítio onde sempre a pudeste encontrar, na lua. Esta semana no entanto, sei bem que fiz. Tenho-me sentado todos os dias na cadeira ao fundo da sala. Fico para ali, embrulhada em mantas, e penso penso. Penso naquilo que me disseste tantas vezes, penso no futuro. Penso muito, como vão ser a coisas para a semana, e se amanhã vai ser igual ou pior que hoje. Continuo a sádica pessimista que sempre conheceste. Independentemente de todos os quilómetros que me separam de alguém tão igual a mim quanto tu.
Sabes, depois de todas essas coisas que não interessam muito para o caso, ando muito feliz. Conheci há uns meses atrás, um tótó que me tem mantido o coração cheio, mesmo quando o mundo está vazio. Ele não é bem o príncipe encantado que todas queriam. Não é propriamente o sonho romântico personificado, ou o cavalo branco de S. Sebastião. Ele dá-me tantas dores de cabeça como a perfeição de qualquer um desses claro; mas além daquilo que o meu coração vê, aos teus olhos não deverá ser mais que um giro e bom rapaz.
É isto que me tem debatido ali na cadeira nos últimos dias. Se amanhã toda a felicidade que ele me fornece, continuará cá. Se todo o combustível que trás aos meus dias se vai manter por mais tempo, e se quando acabar, saberei eu aprender de novo a viver sem ele. Cheguei a um momento, em que precisaria de uma clínica de reabilitação para o perder. Precisaria aliás, que o destino me marcasse uma consulta antecipada no psiquiatra, antes do dia em que ficasse sem ele. Às vezes perder a felicidade, requer uma certa aprendizagem. Como se o amor ou o fim dele se resolvessem com fisioterapia, e apenas a lição que a vida nos dá não fosse solução para saltar a faixa. De facto, o amor é saltar muito alto. O amor, ou o fim dele.
Tenho aprendido muito nestes dias de chuva em que não te escrevo, em que apenas respiro, e pouco mais. Aprendi aqui na cadeira, que a luminosidade inexistente do quarto, ajuda a que os meus pensamentos não ofusquem na semi-confusão gerada na minha cabeça. Ajuda sobretudo, a deixar-me ouvir melhor a chuva que tanto gosto lá fora, e a ouvir aquilo que a consciência me diz do lado de dentro dos meus ouvidos. Ele pode realmente não ser perfeito, mas foi o único ponto na vida a tirar-me a aptidão da vontade para a escrita. E isso só pode dizer qualquer coisa. Como sabes sempre tive uma escrita muito triste, e agora, acho que a tristeza se foi. Às vezes tenho medo que tanto amor, me afaste da paixão pelas letras, que tu bem sabes que tanto amo.
Perdi de facto o jeito. Não estás a compreender nada, e já fumei alguns cigarros então escrevo isto. Está uma porcaria bem sabemos, mas sei que me compreendes tão bem quanto se estivesses aqui. Pensa que as mesmas gotas de chuva que sei que escorrem na tua janela passaram pela minha na semana passada noutro estado físico qualquer, nessa semana em que não sei bem já o que andei a fazer. Talvez assim, te sintas mais próxima daquilo que te escrevi.
Para te ser sincera, isto está a crescer. Não sei como explicar, mas eu amo-o. Ninguém sabe o que é realmente isso ou de que tamanho é, mas todos sabemos quando o sentimos. Talvez tu entendas melhor o que sinto do que eu, porque neste momento, me conheces além de toda a distância, muito melhor do que eu consigo fazer. E por isso ultimamente, não é a luz que me ofusca a cabeça, na cadeira de madeira ao fundo da sala; não é, porque tenho as persianas fechadas; ultimamente o que realmente me faz mal e me faz crer que te digo a verdade nisto, é o medo.
É o medo de precisar um dia de fisioterapia que me preocupa, quando a pouca sorte chegar e se decidir a ficar-me com ele.
E bem sabes que amar, é ter medo de perder.
É o medo de precisar um dia de fisioterapia que me preocupa, quando a pouca sorte chegar e se decidir a ficar-me com ele.
E bem sabes que amar, é ter medo de perder.
sábado, 12 de novembro de 2011
E depois quando as coisas se tornam demasiado escorregadias para caminhar de pé, sentimos o sabor da complicação. Os dentes cerram-se porque o coração fica sem força, para levar a boca a dizer o que se sente naquele momento. Resta sentar e esperar, sem tentar remar contra a maré. E é assim que dói. Com a força depositada no lado de dentro, porque para fora não sai mais nada. Como se tudo estivesse rodeado de gelo, que não nos permite tocar nas coisas, andar sem cair, ou desbloquear aquilo que queríamos deixar dizer ao nosso coração. As noites ficam mais escuras do que possível, e sentimos o coração desfazer-se em mil pedaços. Sentir coisas fugir sem que as possamos agarrar, faz-nos sentir como se realmente, o chão estivesse cheio de gelo, e naquele momento, até as minhas mãos estavam hipoteticamente cheias de manteiga, porque por mais que te agarrasse do lado de dentro do peito, sentia-te escorregar cada vez mais. E nunca é bom, quando sentimos as coisas tão perto do fim. É o sabor amargo, pior do que o do gelo debaixo dos pés, ou da incapacidade fortuita nas mãos. É a tristeza sem preço, que nos engole o coração, e parte e reparte sem restar um só pedaço. Uma tristeza daquelas que nos amassa e cala, e que é o pior preço a pagar por um erro. Talvez a dor esteja distribuída por vários compartimentos. Nesse caso posso dizer-vos, a que dói mais, não é a da frustração de saber que fizémos sem querer. Não é a da má interpretação, ou a que se liga mais tarde à raiva. A dor que dói mais, é a que está do outro lado. Aquela que nós provocámos, naqueles em que deixámos do seu lado de dentro metade do nosso coração. Ultimamente, acho que deixei lá afinal dois terços. Acho que está sempre a crescer, e que qualquer dia o meu coração é dele. Acho que amo muita gente, mas que a ele, não sei amá-lo com moderação. Não sei amá-lo em forma nem tamanho, e não sei como cabe tanto, dentro de 160cm de pessoa e um só coração. A única explicação plausível, é ter metido dois terços do meu, dentro daquilo que é dele. Dentro das mãos, ou de onde quer que ele o quis guardar. E é essa dor, a que custa mais. De todos os compartimentos do nosso corpo, a que dói mais, é aquela que deixámos dentro do corpo do outro. Dentro daquele nosso pedaço de coração que podemos sentir latejar-lhe dentro do peito, como se nos pertencesse e pudéssemos sentir os dois. É por isso, que ver o tamanho do que o magoa, me dói tanto. É por ter dividido o que tenho ao meio também, que consigo suportar tudo quanto gosto, mas verdade seja, é sentir a dor do outro lado, aquilo que dói mais. É preferir que fôssemos nós, e já não pode ser. É saber que posso aguentar muito, e não saber se ele aguenta tanto. É ter medo do fim, como de sentir o sangue parar de pulsar na veias, na metade do coração que te demos ou na outra. Dentro de mim não cabe nem mais nada, os extremos definem-me como pessoa, gostava de errar muito menos, mas não devia amar muito mais. É que quando ama-mos com muita força, perdemos a capacidade de falar. E eu julgo ser por isso que quando isto acontece, podemos perdoar a nós próprios e aos outros, coisas que nunca pensámos perdoar antes.
domingo, 6 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Aqui se achavam, ali se perdiam. Nunca ninguém percebeu bem. Acabava sempre por haver um dia, em que lá davam as mãos e esqueciam as suposições. Partiam à procura de algo que não sabiam que iam achar, mas com que sabiam que podiam perder. Segundo dizem, foi muito tempo assim. Ela chegava todos os dias à rua, e respirava com força. Mas antes olhava em volta. Olhava para cima e para baixo à sua procura. Mas ele não estava lá. E ela olhava, para baixo, e para cima de novo. Foi sempre assim que a viram. Infundada em vontade de ver algo que os olhos não lhe traziam até então. Mas isto, é só o que as línguas dizem.
Foi muito tempo assim (pensa-se). Ele voltava à sua procura, e não encontrava nada. À procura dela não. À procura de si próprio. Era assim que os viam sempre. Os conhecidos, os "amigos". Aqueles que falavam deles, quando se sentavam na mesa do café. Na verdade, julgo que poucos sabiam o que sucedia. Ela era alegre, mas triste. Todos a sabiam descontraída e fala-barato, mas eu sentia que havia algo que ela deixava por dizer. E quase aposto, que esse algo era ele, mas se o afirmar, vou baixar o nível do meu discurso, para mera conversa de café. E pronto. Com ela, era assim. Estranho e irreal, mas não tanto inexequível quanto todos faziam. E ele? Bem, ele eram outras contas. Na verdade, sempre se esteve um pouco nas tintas. Não fez por escondê-lo (dizem). Na verdade, até o mostrou bastante bem. Mas mesmo assim, lá cruzavam os dedos nos seus de vez em quando, só para dizer ao seu mundo que no mundo há algo mais. Era aquilo, o que se julgava um egocêntrico ser. Alguém um tanto estranho, se querem que vos diga (sem grande certeza). Mas vai na volta, lá abalavam de mãos dadas, como tantos viram pela rua a baixo.
Ela lutava bastante. No outro dia, viram-na à janela, a pensar na vida. Na verdade, novamente ninguém sabe. Não lhe abriram a cabeça para verificar, mas no café, todos podiam enumerar as frases que se lhe passavam na cabeça. Isto, porque no café todos sabem tudo (hoje em dia pensa-se muito). E daí, ditavam-lhe o destino de coitadinha. Sabiam que ela sorria por fora, mas chorava por dentro. Talvez até fosse verdade. Mas ela continuava a dar-lhe a mão rua a baixo. Porque um dia destes, um dia fui eu que vi.
Nos dias em que cruzavam as mãos, não eram só as mãos que cruzavam. Pelo menos, era o que todos diziam. Andavam a sair juntos de vez em quando, a brincar aos namorados. Na verdade, ele brincava com ela, e ela deixava-se ser brinquedo dele, diziam os outros. E talvez eu até acredite nisto. Mas eu sei que isso passou. Porque eu sei. Porque sinto, porque ninguém me disse.
Ultimamente, ele pensa muito nela. Tenho visto isso com os meus olhos, e não com a conversa dos outros. Na verdade, no café todos sabem tudo; mas no fundo, acho que não sabem é nada (e isto, eu não digo a ninguém, para não baixar o nível para conversa de café). Agora, ele sai à rua com um sorriso maior (também dizem por aí, mas eu vi também). Ela senta-se de mãos cruzadas, e deve estar a pensar que as dele vão estar dentro das suas daí a pouco em cada vez que sorri. E na verdade tem um sorriso maior (porque foi isto que eu vi). Agora vão ali rua a baixo. Afinal, eles enganaram-se todos. No café, estão todos calados. Consigo vê-los, em silêncio aqui do banco. Ultimamente não me sento com eles. Acham que sabem tudo, mas não sabem nada. E é preciso tomar atenção a conversa de café, para saber ao lado de quem, devemos sentar os nossos ouvidos. Porque é ao lado desses que não acham que sabem, que devemos sentar mais vezes o nosso coração.
Quem diria que se podia aprender com conversa de café. Agora ela conseguiu como eu sabia que ia conseguir. E agora eles já podem mostrar isso a todos, sem precisar de falsos relatos de outros, porque o que mostram não deixa nada mais para dizer. E se calhar, eles antes até tinham razão. Mas as coisas mudam. Mudam, porque ela fingiu que não ouviu. Porque nunca se sentou, nem os ouvidos nem o coração naquela mesa de café, onde todos sabiam mais que ela da sua vida. Ela simplesmente, ignorou. Não quis ouvir que era daquela ou da outra forma, nem quis ser a coitadinha. Na verdade, traçou um objectivo, por mais que fosse louco e enorme. E naquela altura em que só eu olhava e sentia, ambas sabíamos que era exequível.
Agora pelo café, eles passam rua a baixo sem dizer nada. Riem e choram, mas choram de rir. Parece um ciclo sem margem para dúvidas, que mesmo assim aquelas pessoas que deixei de querer lá do café, continuam a indagar continuamente.
Agora todos viram tudo bem. Mas mesmo assim, não querem perder a razão. Alguns dizem que nunca vai dar certo. Mas por mais que muito se diga, eu acredito que talvez ela vá lutar contra o que eles dizem no café. E vai derrotar as suas perspectivas de fim, todos os dias.
As pessoas gostam muito de falar da vida dos outros. I don't care anymore. Como podem ver, os surdos, são aqueles que ganham as corridas.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Às vezes, só gostava que pudéssemos mostrar aquilo que os outros são para nós. Gostava de poder emendar cada erro sem as palavras "fiz com boas intenção", mas sim com provas disso. Gostava de chegar ao pé de todos, aqueles que amo e que são muitos. Abrirmo-nos, parece-me quase um bem essencial. Tão básico e linear, que a natureza devia tê-lo feito connosco. Se nascemos dotados de tantas adaptações ao meio, não teriam havido já mutações de genes suficientes, ao longo de tantas gerações que permitissem uma selecção natural dos mais fortes? Tenho a certeza, seriam aqueles que conseguissem abrir-se. Aqueles que não se limitassem a ser mortais e humanos. Aqueles que além de excepcionais, como aqueles que me rodeiam e como eu faço por ser muitas vezes, são também marcos da sua própria posição no mundo. Mas porque é que não podemos abrir-nos? Para que acreditem em nós. Para às vezes só, mostrar todos os sentimentos bons, que um ser consegue possuir pelos outros. Às vezes também, porque não? Para libertar cá para fora parte do que sentimos quando o amor nos enche, atola e sufoca, como se nos agarrasse e sentíssemos quase o seu peso e tamanho, cair-nos sobre os braços da satisfação. Às vezes é assim. Não sei como dizer, mas sei que amo. Sei que amo de forma diferente muita gente. Sei que eu sou eu, cheia de coisas e sentimentos, que às vezes questiono se muita gente pode ter. Às vezes sinto-me assim, diferente. Sinto que todos somos únicos e especiais, que mostrarmo-nos e viver apenas, não chega. Sinto que os amo mais que tudo no mundo, que são excepcionais, que os magoo às vezes sem querer como eles a mim, mas que nunca lhes vou poder mostrar. E é esse o problema. Nunca saberemos, de que tamanho é o amor. Se ele tivesse uma cor, sei que seria uma para cada um de vós. Sei que cada um deles ia ser diferente, mas igualmente genial. Se o amor fosse como bolinhas quando nos abríssemos de dentro para fora, sei que todos teriam a melhor cor que o meu coração soubesse dar. E quando os voltasse de fora para dentro, regressariam felizes, por terem sido mostrados a quem pertencem, em todo o seu peso e tamanho. Porque às vezes queremos dizer, e qualquer palavra do português não chega. Porque se falarmos em amor de mãe, só saberemos o que é, a sua cor e tamanho quando o formos um dia. Ou o que é gostar realmente de um colega. Ou o que é amar verdadeiramente um amigo. Porque o peso das coisas boas, só se vê depois de abertas. Por isso é isto. Parecia-me um justo efeito, para quem gostava de dar mais aos outros. Não era tão difícil assim, que aqueles que gosto, pudessem pesar, o quanto são tão importantes para mim. E talvez assim, mostrássemos todoso melhor de nós. Porque as maravilhosas pessoas com quem crescemos, ajudam-nos a possuir depois as mais excepcionais personalidades que um humano consegue tomar. E se é excepcionais que somos e se são maravilhosas as pessoas que temos, podia-nos ser só tão genuíno e fácil abrir o coração.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Os dias têm ficado cada vez mais frios. Já era hora, para alguém que sempre gostou tanto de chuva.
Ultimamente, ando assim também. Um bocado cinzenta. Às vezes penso, que posso quase atrair a chuva por onde passo, com toda a minha aura negra. Como aquela história do guarda chuva aberto, sabes? Pois é. Não estás a compreender-me de novo. Ultimamente de novo, tornou-se muito usual. Ninguém me compreende, nem mesmo tu. Talvez porque ultimamente também, eu deixei de me saber explicar. De chegar a um pedaço do que for, e escrevinhar qualquer coisa à sorte, mais uma daquelas verdades incontestáveis, que tu percebias. Aqueles dogmas que tanto me caracterizam sempre, e que eu entendo como indubitavelmente comuns, quando no fundo, são mais imperceptíveis do que legíveis em termos de ortografia (o que tendo em conta a minha caligrafia, seria difícil). É por isso, que tenho passado os dias aqui. Sentada e fria, à espera de te explicar alguma coisa, que não sei dizer a mim. À espera de pegar num pedaço mísero de papel, e largar uma palavra, por mais gasta e suja que fosse. Mas para suja, tem bastado a nova cor que o céu adquiriu agora depois de todos estes meses. Ela, e a minha aura escura, da cor do actual céu, que não me deixam pegar na caneta, nem aperceber-me eu própria daquilo que sou, quanto mais do que quero mostrar.
E pode parecer mítico dizer isto, mas resta-me a conversa cliché sobre o estado do tempo, caso queira abrir a voz redireccionada a ti. Agora está a chover lá fora. E eu estou aqui dentro, sem nada para te dizer.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
É mais fácil escrever, quando estamos tão vazios por dentro que precisamos encher uma folha de papel ou uma caixa de texto no computador, para sentirmos que algo fora de nós, está cheio daquilo que gostávamos de possuir. E para pessoas como nós torna-se difícil escrever, quando para fazer frente à escrita, surge algo que nos faz sentir suficientemente calmos e completos; algo que nos completa, a ponto de pouco haver para deixar aqui fora.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Parece que as luzes se apagam todas devagar. Que estar algo do lado de fora, é completamente aleatório.
Naquelas horas, os momentos fecham-se de encontro a nós. Como se o ar se fechasse em cada encosto, e o mundo todo ficasse mais próximo, até que desaparecesse de vez. Como se as luzes apagassem as cores, uma a uma, lado a lado, até tudo ter a mesma ausência de tom. Como se houvesse apenas, um espaço, um tempo, lá fora. Uma ausência de todo o tipo de peças existentes em volta, um espaço vazio entre um lugar e o mundo, um vácuo vazio e inconsciente, meio egoísta a pouco custo, que separa tão facilmente, o que se sente daquilo que se vê. E dentro daquele que ar que nos aperta, estamos só nós. Com as luzes apagadas progressivamente, até que toda a cor se feche em nossa volta. Depois dela, desaparecem as pessoas, os lugares, e o tempo. A linha da vida passa-nos ao lado, e o relógio, nunca mais corre em vão. É um mundo à parte, tão dentro do nosso. Uma bolha de sabão, onde só cabemos nós, e que só nós sabemos construir sem detergente. Um lugar, um sítio, com um sabor, com um cheiro diferente. Um lugar, se é que se pode chamar assim; onde não precisamos, do ar, nem do tempo, nem das cores do mundo, dos et's ou de naves inter-espaciais, para ficarmos naquele sítio que não sabemos onde. Aquele onde vamos parar, quando temos os olhos fechados. Quando os beijos duram mais do que 10 segundos, como se deixássemos a chave para que rodasse sozinha na fechadura. E o mundo deve dar três voltas. Como se a gravidade não existisse, e quase não precisássemos de actividade biológica. Como se os movimentos espontâneos empurrassem qualquer tipo necessário de ar, como se o cheiro me enchesse e coordenasse os pulmões, como se o meu relógio estivesse tonto, de não sentir os ponteiros rodar, numa ausência de dimensão que mais ninguém conseguirá explicar nunca. E às vezes tenho medo. De cair lá, e morrer de amor. De ficar para lá no meio do caminho, depois de fechar os olhos e atravessar mil dimensões num tempo demasiado rápido para que existam segundos. É aquela doce reacção química, que nos transporta para um sítio, onde não sei onde estamos, onde não há nada à volta. Onde tenho medo de não ver cores, de não sentir outro cheiro, de ter medo de além da nossa bola de sabão, não conseguir ver mais nada. E quando lá chego, tenho muito medo, e mesmo que não te diga, quase choro. Porque estamos perdidos, porque nos encontramos um no outro, quando nos perdemos do lado de fora do mundo, sem sabermos como voltar. E é assim, que as nossas saídas da dimensão normal para a nossa pequena e restrita, nos matam e desgastam. Porque o ar não vem connosco, o tempo não vem até nós, não sentimos mais nada que não a nossa respiração a partir de algo que trocamos um com o outro, e as cores deixam com as luzes de existir. E aí, é aí que eu tenho medo. É aí, que eu fecho os olhos, e morro para o mundo, como tu fazes comigo. E depois, quando acaba acordo. Vejo luzes, cores, pessoas, os ponteiros mexer no relógio e tenho medo porque enlouqueci. Porque me dás um beijo, fecho os olhos que felizmente abri de novo, e não sei onde estou. E aí, tenho muito muito medo. Porque agora, estou a ficar dependente disto. Porque agora, amo perder-me em dimensões sem luz e cor, sem ar nem tempo, sem necessidades biológicas, sem dúvidas nem dor, sem nada mais além de escuro. Porque por mais perigoso que seja trocar o mundo por um lugar nalguém, em mais nenhum sítio como aí, eu sinto que te amo quando nem o tempo me trazes contigo.
Sentia o estômago arder. Era indescritível a forma, como o mundo podia ser tão doce e tão cruel sob os mesmos olhos. Era aquela sensação do sufoco, do tamanho da dúvida, quase tão leve como aquela convidativa borboleta que estava pousada na folha seguinte ao seu pé direito, ou tão pesada e dura quando a pedra que quase lhe atingia o pé esquerdo. Era aquela sensação de qualquer coisa mista. Não mista como os folhados, aqueles que comem na pastelaria ou no snack-bar do costume. Era uma sensação mista, que preferia mais conhecer pelo tom da massa folhada, do que propriamente pelo tamanho agridoce que possuía na sua pessoa.
E continuava fechada no seu momento egoísta. Debaixo de uma árvore qualquer, sob a qual arranhava a relva, com a pele macia das mãos impregnada naquela estranha matéria, em que além de terra não distinguia nada. Era quase como se tudo fosse como aquele bocado de terra, e não pudesse pensar em mais nada. Além daquilo que tocava, como com os pedaços de terra, pouco mais podia distinguir com nitidez. Tudo o resto, que mora por trás da constituição da terra, ou dos presentes da vida que lhe causam a dúvida, é sempre uma questão moldada à parte. Às vezes, a vontade era escrever um livro com as soluções dos problemas. Escrevê-los enquanto dormimos, para podermos acordar de manhã, e procurar pelo resolvido. Era mais simples assim, avaliar o tamanho da sua culpa. Ser-lhe-ia mais fácil compreender o tamanho da dúvida, a que tão amável e pouco docemente, a língua portuguesa chama de dura insegurança.
Todos nós temos um lado inseguro. Uma falta de certezas na vida, sejam elas sobre pessoas ou sobre terra. É básico, como lógica da batata. O ser humano vive, mostra, conta, sente, e depois, gosta sempre de saber, a verdade dos factos a cada qual para quem se tornou uma fonte. Sejamos nós uma fonte de contar, de sentir, ou de saber.
E não. A resposta, não estava nas pedras, nem nas borboletas. Continuou a procurá-la nas flores, nas árvores e no céu, mas ali, nada tinha nada para lhe dizer. A incerteza é uma pergunta, toldada por nós como resposta àquelas coisas da vida, que todos queremos ou questionamos simplesmente, porque sempre fomos muito bons a meter perguntas.
E o céu, estava demasiado azul talvez. Ou talvez fosse só a dúvida negra, a torná-la daltónica, na esperança de acreditar que o cinzento do céu, seria menos cinzento do que a sua dúvida, mesmo que isso não mudasse nada. Ou simplesmente, seriam todas as analogias de folhados, a dar-lhe a volta à cabeça, no meio de todas as folhas e camadas de insegurança tão característica de uma mais analogia. E então, gostava de perceber metade da insegurança que têm todos, mas gostava de mais de compreender a sua. De ter algumas datas longe da sua prenda, e de ter tempo para gostar mais dela, sem que a perca no meio da massa.
E quando é assim, resta só levantar, deixar para trás as pedras, a terra e as flores, e não procurar analogias em nada. O que se tem, não é obrigatoriamente tão fácil de distinguir quanto terra, e não está em perigo nem deixa de existir, porque alguém o deixa menos à vista.
Todos nós temos um lado inseguro. Uma falta de certezas na vida, sejam elas sobre pessoas ou sobre terra. É básico, como lógica da batata. O ser humano vive, mostra, conta, sente, e depois, gosta sempre de saber, a verdade dos factos a cada qual para quem se tornou uma fonte. Sejamos nós uma fonte de contar, de sentir, ou de saber.
E não. A resposta, não estava nas pedras, nem nas borboletas. Continuou a procurá-la nas flores, nas árvores e no céu, mas ali, nada tinha nada para lhe dizer. A incerteza é uma pergunta, toldada por nós como resposta àquelas coisas da vida, que todos queremos ou questionamos simplesmente, porque sempre fomos muito bons a meter perguntas.
E o céu, estava demasiado azul talvez. Ou talvez fosse só a dúvida negra, a torná-la daltónica, na esperança de acreditar que o cinzento do céu, seria menos cinzento do que a sua dúvida, mesmo que isso não mudasse nada. Ou simplesmente, seriam todas as analogias de folhados, a dar-lhe a volta à cabeça, no meio de todas as folhas e camadas de insegurança tão característica de uma mais analogia. E então, gostava de perceber metade da insegurança que têm todos, mas gostava de mais de compreender a sua. De ter algumas datas longe da sua prenda, e de ter tempo para gostar mais dela, sem que a perca no meio da massa.
E quando é assim, resta só levantar, deixar para trás as pedras, a terra e as flores, e não procurar analogias em nada. O que se tem, não é obrigatoriamente tão fácil de distinguir quanto terra, e não está em perigo nem deixa de existir, porque alguém o deixa menos à vista.
Haver coisas menos visíveis, pode ser motivo para dúvida, medo e drama. Mas não há que complicar, já que sempre a vida lhe o deu a ele, e não há por isso que desesperar e ver que há preocupação de o perder; não pelo menos, enquanto ele não for um folhado misto.
domingo, 9 de outubro de 2011
No fim, fica sempre aquele jeito. Aquela coisa da despedida, que nos traça a raiva e envolve a vontade, pequenina no meio do suposto dever de que temos mesmo de ir. Na verdade não temos. Na vida, nada "temos de", obrigatoriamente, pelo menos foi sempre isto que eu achei. Mas de facto, há coisas que convêm. E já que era chegada a hora, nada mais havia a fazer senão passar mesmo para o verbo despedir.
Tem sempre de ser algo rápido. E não é questão de sorrisos ágeis nem olhares frívolos. Certamente que o que há a fazer, é usar os lábios e as mãos o mais rápido que se pode, no lugar que se deve, virar as costas e até amanhã. O dizer, não vale pena. Só um "porta-te bem", que é um "toma conta-te de ti" camuflado. Um "toma conta de ti" que não se diz, mas que por sua vez significa o mesmo que um "toma conta de mim, porque passei tudo o que sou para esse lado".
































