segunda-feira, 21 de junho de 2010

Para sempre.



A nossa história morreu. Morreu-me nos braços. Morreu-me no peito, no coração, mais fundo que o próprio limiar. Tocou-me na pele para se despedir, e abandou-me o corpo muito devagar. Torturou-me com a sua partida, lenta e dolorosa, como se quisesse prolongar-me o sofrimento. Senti as lágrimas cair com força superior ao possível, e deixei-me cair. Olhei o céu sobre o qual partiste há mais de um ano atrás, e revivi o teu sorriso da forma mais espontânea e real que jamais me tinha sido proporcionada. Podia sentir a tua mão na minha, e a tua voz dizer "está tudo bem". Podia sentir a tua mão apertar a minha com toda a força, podia sentir toda a minha força concentrada na tua mão. Os meus olhos pareciam não ter mais força para se manter abertos, e senti que estava a morrer juntamente com aquilo que estava a perder, de uma vez para sempre. Admiti a mim mesma a maior das dores, a do "nunca mais". Gritei como se não pudesse mais viver. Apertei aquilo que podia ser a tua mão, até as minhas fazerem sangue de toda a força que fazia e raiva que sentia. Na verdade, a força já era pouca. A dor, determinava ali o meu fim. Parte de mim, estava a morrer ali, naquele momento. A angústia de todos os porquês, nunca me iria deixar viver, e eu sabia. A felicidade partira ali, contigo, no dia em que me viraste as costas. E à minha volta não havia nada. Estava sozinha, e era assim que queria estar. Não queria mais amigos, não queria mais família. Queria deixar-me morrer ali, com aquilo que mais amo. Queria que aquela mão, nunca mais me deixasse. Queria que não fosses embora Pedro. Queria que não partisses nunca. Queria não ter de ver partir a única coisa que me prendia à vida. E sabes uma coisa? Passou um ano, e dois meses. Sabes, dói-me o mesmo que no dia em que foste embora. Lembras-te de quando disseste "adeus Patrícia"? Eu sabia que ia ser para sempre. E lembras-te quando te disse "vou-te amar, sempre, sempre, por mais anos que viva, para o bem ou para o mal, até que morra"? Confirma-se. Todas as certezas que tive e nunca ouviste, tudo o que achaste exageros, o que julgaste temporário e inconcebivel, são as verdades que ainda hoje sinto no corpo. Todos os dias acordo, e mais um dia. Mais um dia, com os teus olhos cravados no coração. Mais um dia, com as mentiras que nos destruiram a atravessar-me a alma. Mais um dia, com a raiva e a mágoa extrema, atravessada no que resta daquilo que fui. Fui outra pessoa, diferente do que sou hoje, porque como dizem, a dor muda as pessoas. Nunca mais vou dar a ninguém os sorrisos que dei a ti. Juro-te Pedro, que nunca mais, vou sentir por ninguém o que sinto por ti. Disse-te esta frase no ano passado, e tu não me levaste a sério. E agora, será que passado uns bons meses já acreditas naquilo que te digo? Só tenho pena, de não poder abrir o coração, tirá-lo do peito, e dar-to, para que possas medir o quanto te amo. Para que possas ver, que em todos os seus pontos, dizem apenas as mesmas 4 palavras: Pedro Miguel Avó Manuelito. Secalhar é este o meu destino. Secalhar, realmente todos nós nascemos com uma missão. Secalhar a minha, é amar-te incondicionalmente, ser tua, nalgo que supera em muito o estado físico. Ser tua não fisicamente, mas ter a alma nas tuas mãos. Secalhar, nasci apenas, com intuito de ser a alma que te pertence. Secalhar, o meu dever é honrar essa missão. E prometo-te Pedro que é isso que vou fazer. Viver no permanente orgulho da (quase) nobre missão que me foi incumbida. Viver, morrer, crescer, seja o que for, com o orgulho e honra, de ter quem mais amo no mundo, para sempre cravado na memória, na pele, no coração.

P.S.: sim, Pedro. Tu sabias sempre quando o fazia por longe que estivesses, e desta vez não é excepção. Sim, estou a chorar. Mas de orgulho. AMO-TE.

Com ou sem ti, vou ser sempre tua. A minha alma, vai ser sempre tua, para toda a eternidade. Lembra-te, sempre tua.

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