E quando o amor pode pôr fim à vida?
Pode acontecer sim. E talvez seja, tão simples e fácil acontecer. Não precisa de haver um vampiro entre nós. Basta colocarmo-nos em posições, que nos podem ditar um fim. O fim de algo. O nosso fim, quem sabe. Quando tomamos qualquer decisão, quando sentimos tamanha dor, quando vimos isto ou aquilo deixar-nos os braços, ou quando o coração nos sai revoltado do peito. Nunca pensamos desistir do perigo, por temer por nós. Temer por nós? Não, nunca. Temer pelo que amamos, isso sim. Acima de tudo. Acima de nós. Às vezes o coração sente com mais força que aquela que pode suportar. Às vezes o corpo já está demasiado cansado. Às vezes a mente, perde algum do seu perfeito juízo. E normalmente, somos masuquistas a ponto, de considerar que aquilo que nos pode fazer felizes, é aquilo que mais nos magoa. O perigo que mais dói, é aquele que ambiciona-mos, acima da nossa vida. Mutilamo-nos fisicamente, sempre mais, numa tentativa desesperada de conseguir bloquear a dor que corrói a alma, invisivel e avassaladora, terminando-nos lentamente. A mutilação psicológica, é a mais perigosa, e aquela que faz da maioria dos individuos do século XXI verdadeiros vampiros. E a perfeição para nós, torna-se, na verdade, no perigo que nos espreita. Acontece muitas vezes. Não é de facto preciso um vampiro, um assassino insaciavel, ambicionando a nossa carne para que o fim aconteça. Basta haver um assassino de almas, um que mata sem dor física. Um perigo não se revela apenas um perigo, quando deitarmos a mão ao pescoço e sentir-mos uns dentes marcados, ou uma mancha de sangue. O verdadeiro vampiro, é aquele que amamos. Longe da ficção, das sagas, dos filmes, o verdadeiro vampiro, é sempre a pessoa que mais ama-mos. Independentemente de quem for. É aquele que mata silenciosamente, empenhando a dúvida, o medo, a mágoa. É este o verdadeiro perigo, o que mata devagar e sem deixar rastos de culpa. Um que infringe uma dor muito maior que a física, mas que ninguém pode ver. Alguém que ao contrário do vampiro, em vez de nos desejar, a nós, ao nosso sangue, mostra a sua repulsa. Alguém desejado por nós, mas que a mossa de sangue que provoca, é causada não por uma enorme mordida no pescoço que nos deixa inconscientes no chão; é assim alguém, cuja mossa do nosso sangue que fica, é provocada pela distância emocional. Uma réstia de sangue, representando o fim. Feita às nossas mãos, ou indirectamente, às mãos de outro. Um fim ditado quem sabe, sem sequer haver sangue. E é aí, que o verdadeiro perigo reside; reside na nossa vida, no nosso quotidiano, dentro de nós, sem que os olhos de quem magoa, ou de todos os outros o possam sentir. Sem que os olhos do verdadeiro assassino o possam ver.
Acho que também tenho uma queda para me apaixonar pelo perigo.

1 comentário:
chama-se ; Amanda Seyfried - Little House
http://www.youtube.com/watch?v=Im_ZVNX1QZM
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