sexta-feira, 20 de agosto de 2010

BeatrizBravoXarepe.




26/04/09, foi um dos piores dias das nossas vidas. Talvez o pior que ja atravessamos juntas. E foi mesmo. Chorar semanas e semanas a fio, com poucas palavras para trocar. Faltou-me tanto a força. Tanto. E por isso não te fui ver. Eu não era capaz. Sim, pensei que não voltava a ver-te. Sim, pensei que nunca mais te pegava na mão. Sim, tiraram-me o chão. E a única coisa para que houve força, foi para engolir uns calmantes, chorar, chorar, chorar, gritar, escrever isto, e guardar debaixo da cama, com a promessa feita a ti, feita a mim, feita a nós, que to daria. No dia em que te voltasse a ver. Levasse os meses que levasse. Esperando apenas que acontecesse. Fosse lá quando isso fosse.
Felizmente sim. Aquele texto, foi escrito sem ninguém saber. Foi imprimido num papel bonito, e foi deixado onde ninguém pudesse ler, e ver o quanto eu fui fraca, o quanto me deixara ir a baixo. E ficou ali à espera. Naqueles 50 dias seguintes, em que estiveste internada, sem eu te poder ver. E passado esses 50 dias, nesse dia, eu sabia o que sempre soube. Tu não morreste, e eu sabia que ia ser assim. E era agora o momento, de te dar aquilo que há tanto esperava por ti, debaixo da minha cama.
Não imaginas o quanto esperei por aquele momento. Aquele em que te abracei, e te vi chorar a ler o que eu tinha escrito. Que foi praticamente o pouco, o tudo que te disse nessa noite. Foi dos melhores momentos da minha vida. Foi o reencontro. Foi renascer. Foi crescer ali. Dar um passo de gigante, e saber que o tinha dado contigo. Crescemos as duas, tanto, tanto, :'| E ao fim de duas horas sem te largar a mão, nunca tinha ficado tão feliz, por ver alguém engessado e agarrado a uma cama. Ao menos estavas ali viva. E ainda hoje a minha mão, não esquece esse dia. Nem hoje, nem nunca.

  
27/04/09 

[Por mais que me custe, sim, depois do acidente cheguei a pensar que tivesses morrido . De todas as vezes que fui forte fi-lo por ti . Perdoa as minhas fraquezas . Amo-te.]

Dias para esquecer. Os sorrisos apagam-se. As lágrimas caem. Alguém que amamos muito precisa de nós mais que nunca. Uma AMIGA desajeitada, alegre e sorridente. Uma rapariga única, com um jeito único, com uma alegria única. Beatriz. Tu estás mal, eu sinto que sim. Sinto que precisas de todos nós. Mas não penses, nunca penses, que estás sozinha. Nestas alturas é que se fazem notar os grandes amigos. E tu, tens mais do que pensas. Muito mais. Na cabeça da maioria de nós, instalou-se o vazio. O silêncio. A raiva. O ódio, por isto te ter acontecido. É como se o tempo tivesse parado. Nem acredito neste pesadelo. Ainda tenho presentes o eco dos gritos, os olhos de choro, a preocupação estampada no rosto de todos nós. Inquietos e sem nada poder fazer. Sinto-me arrasada. Impotente. Não consigo contactar-te, falar contigo, saber como estás; não consigo pegar na tua mão, olhar nos teus olhos, e permitir que o teu calor, descongele o bloco de gelo em que os nervos me estão a transformar. É como se de repente, a grande MULHER que és, estivesse a pagar por algo que não fez. Tu. Não podia ser assim. Não merecias rigorosamente nada disto. Nada mesmo. E eu não posso ajudar-te. Nem ver-te. Nem tocar-te. O pior é que sinto que a batalha vai ser longa. Mas tu vais conseguir esquecer tudo. Ajudarei em tudo o que precisares. Faço o possível e o impossível para ouvir aquela tua gargalhada estridente de novo. Para ver a tua mão passar pelo teu cabelo naquele teu jeito desajeitado e ver que voltaste a ser a mesma destrambelhada de sempre. A minha gaiata. A minha Beatriz. Sem dúvida, uma das minhas melhores amigas. Uma das pessoas que mais me orgulho de ter conhecido. Porque quando estamos juntas, e como já te disse, mesmo que estejamos as duas em silêncio, quando te deixo, tenho a impressão que foi a melhor conversa que já tivemos. Porque não me recriminas. Nem a mim nem a ninguém. O pior que me podia acontecer era perder-te. Por favor, não nos deixes. Não percas a força. Não te abstenhas de viver. Se Deus quis que não fosse pior, com certeza que o seu objectivo era abrir-nos os olhos para que déssemos mais valor às coisas, e permitir-te a ti ficar mais forte, e fazer com que te tornes um exemplo, com que te tornes ainda mais especial do que já és. Uma menina de força, obrigada a crescer demasiado depressa, mas com uma coragem que muitos adultos não têm. Palavras não chegam para demonstrar o que significas para mim. Acima de tudo AMO-TE <3. Amo-te, Amo-te, Amo-te muito.

E agora? Passou mais de um ano e vais ser operada. Epa, não acho seguro tirarem-te os parafusos da coluna. Tu só de si, já tens poucos e não os usas, e se calhar ainda eram os das costas, que te firmavam algum juizo, xD. Palpita-me, que sem parafusos, ninguém te atura porca de merda, :')
P.S.: Só tenho uma palavra. Sempre.

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