Porque é que tenho de acreditar? Porque é que não consigo livrar-me disto, porque é que já tenho saudades? A questão é, será que isto é mais do que eu penso ser? Não, não poderei responder. Na verdade, não quero responder a mim própria. Porque na verdade, não sei bem o que vem daqui, do coração, e sinceramente, tenho medo de espreitar. É que desta vez, não quero acreditar. Não quero cair, esfolar os joelhos, sangrar, limpar as feridas, ficar com as cicatrizes, e receber as lágrimas. Queria só aquela mão para me levantar, um sorriso para dar, um para receber, todos os dias. Aquela mão para apertar, com força, para lhe dar tudo o que tenho, sem precisar de receber em troca, mais do que a sua presença, o seu sorriso, a sua pele aqui encostada ao meu lado, firme a mim, sem nunca me deixar. Desta vez, queria voltar a olhar para o céu, e pensar que finalmente, correu bem. Que tenho alguém que vou preservar sempre, sempre da melhor forma que posso, com o melhor que sei. Só que caio sempre no erro de subir a fasquia. De elevar alguém à perfeição, que não me consigo convencer que não existe. Sim, verdade seja dita, é perfeito. Mas é perfeito agora. É perfeito para mim, momentâneamente. A palavra perfeita, não seria perfeito: seria ideal. Ele era agora o ideal. Mas de facto, a vontade faz-me isto. Quanto mais quero, menos sei como o fazer. Só sei que preciso. Que preciso mesmo. Já lá vão umas horas desde o ultimo vislumbre. E já tenho saudades.

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