Ficou difícil olhar para trás. Olhar para trás e ver o que ficou esquecido. Ver aquilo que realmente doeu, aquilo que realmente se foi. É díficil olhar para trás. Olhar para trás e ver a saudade brotar de todos os lados, e ver que hoje, a frieza a distende sobre o passado apenas. Agora olho para trás, e ultimamente, custa tanto. Sou a culpada por tal, por ter fechado a porta atrás de mim. Afinal de contas, era a dor que me alimentava.
Era essa dor que eu devia continuar a sentir. E porque é que ela já não dói tanto? Porque é que há uma capa fria, em cima da pele quente? Talvez fingir que não existes, tenha sido o pior que fiz. Talvez tenha afastado do coração, sabe-se lá de que forma e por quanto tempo, a única pessoa que realmente entrou.
Sim, antes, não estavas cá. Não fisicamente, não. E no fundo, pouco importava. Se olhar para dentro, pouco importava. Afinal de contas, a parte física das coisas, é a mais egoísta. Não precisamos dela, senão para saciar vontades. Não, não foste um capricho, nem uma vontade. Talvez agora, já não te tenha comigo, na cabeça ou no coração. Amo-te demasiado fundo, para que possa encontrar a ponta a tudo isto. Talvez agora, não te tenha comigo aqui, não. Não te tenha comigo como quem diz, que realmente posso ter-te tão fundo, que nem o coração consegue ver-te.

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