Os dias corriam na praça. Estava vento, muito vento. As folhas nasciam, e as pessoas passavam. O pó acumulava-se-me nos dedos, demasiados ocupados para escrever, demasiado dedicados a alguém. Andavam ocupados em arranjar-lhe o polo sobre as costas, em cima da camisa fresca de linho. Não havia de facto razão para o trazer vestido, com o calor que se fazia sentir. E bem que lhe ficava pelas costas.
Usei as mãos meses a fio, sem pensar. Usava-as apenas em seu proveito, para seu bem. Hoje, não mudaria um único segundo, porque há de facto amizades perfeitas. Mas um dia, alguém achou que não precisava mais dessa ajuda.
Usei as mãos meses a fio, sem pensar. Usava-as apenas em seu proveito, para seu bem. Hoje, não mudaria um único segundo, porque há de facto amizades perfeitas. Mas um dia, alguém achou que não precisava mais dessa ajuda.
Agora, havia todo o tempo do mundo para escrever. Afundava-me num sorriso na outra metade da história, e quando ele fechou, a praça parou para chorar. Então, o pó desapareceu. As folhas vão cair das árvores. E para nós, acabou-se a Primavera.
- Preferia de facto ter ficado para sempre com pó nos dedos.
amo-te (ex)irmão.

Sem comentários:
Enviar um comentário