domingo, 14 de novembro de 2010



Pensas que os pés te estão a levantar do chão. Não consegues estar longe mais de 5 minutos, e não pensar durante mais de 5 segundos. Sentes saudades ao virar das costas, e sentes cada segundo com maior intensidade que o anterior. Tudo te soa a conforto, e sentes o coração disposto numa almofada quentinha que ele arranjou. Dás por ti elevada ao expoente máximo da dependência, e já não consegues tocar com a consciência no chão, como se fosses uma função sem zeros. Mesmo que queiras, não consegues dar a mão à palmatória, e preferes dormir com a dúvida, a acordar com a verdade. Ainda assim, deitas-te e levantas-te com ela. É ele a última coisa em que pensas antes de adormecer, é ele a primeira pessoa de que te lembras ao acordar. Não obstante tanta dedicação mental involuntaria, é ele a pessoa que te faz sonhar acordada, e que te faz acordar quando estás a sonhar. É ele quem te abana com um sorriso, quando estás a dormir em pé, especada de olhos abertos, a olhar para ele. Adormece-te com um sorriso quando estás de olhos abertos, e acorda-te com um beijo quando estás de olhos fechados. É a última imagem que tentas ver antes de adormecer, é a primeira pessoa que vês ao fechar os olhos. É ele quem encontras nos teus sonhos, num sonho dele, num sonho teu, e é ele que te faz comichõezinhas no peito. Ficas nervosa quando falam dele, e tremes quando relembras a sua voz. Sentes-te a rainha do teu coração, e no fundo, está sa dar-te para as mãos de outro. Sabe-te melhor do que qualquer coisa, e é aquilo por que mais esperas. É o teu objectivo, a tua paixão, a tua força e vontade. É ele quem te deixa susceptível e supostamente fraca, e que te dá força para lutar contra mundos e fundos. É a cor dos seus olhos que te faz lembrar mel sem nunca o teres provado, e só o seu nome te faz sorrir. Faz-te chorar, chorar incomensuravelmente, com tanta vontade de rir. Ris e sorris, e voltas a sorrir, até te doer a barriga à força máxima, da exigência de tanto esforço abdominal. Tentas controlar as tuas acções, mas é ele quem te deixa fora de controlo. Pensas que tudo isto são espasmos, mas no fundo passaste a ser um reflexo daquilo que o músculo que tens no peito está a bombear até às pontas dos teus dedos. Longe cada segundo te parece lento, e ficas incontrolavelmente irritada com a saudade. Ela toca-te no ombro ao virar das costas, mas ainda houve tempo de pensares nele primeiro. Elevas-o ao nível das necessidades primárias, e prescinderias de muito do que precisas por ele. Sentes-te a única brisa num dia de Verão, e podias viver nesta heart shaped box em que te encontras para sempre. Ficas toldada pela felicidade momentânea, e nunca tiveste tantos estados de espírito na mesma fracção de segundos. Ficas inconstante a ti própria, e até a respiração se tornou imprevisível. Sentes-te leve. Quase parece que consegues voar, e dás por ti aos pulos, aos gritos, sem razão aparente para as pessoas que ainda juntam o gado todo. Avariaste a caixa dos pirolitos, e neste momento, não passas de um grande coração encarnado vivo, com perninhas e bracinhos, já que a cabeça deixou de funcionar. Então podes desistir. Caíste na decandência da felicidade, e passarás a ser o que o amor fizer de ti. Esperas ser moldada às mãos dele, e não interessa o raciocínio lógico. Sentes-te forte, sentes-te fraca, sentes-te como o clima em constante mudança. Deixaste uma alteração climática desta envergadura, entrar na tua vida, para a pintar do azul, igual ao que tem nos olhos. E agora vai ser bem pior. Dói-te a barriga quando falam nele, e tremes só de pensar. Tens saudades, pois tens, não o vês há algumas horas. Elas tocaram-te de novo no ombro, assim que viraste as costas. Agora vais ter de aguentar as dores de barriga, que pensavas que eram por algo estragado que comeste. Ela dói-te porque está no teu centro de massa, agora que és um coração de peluche com vida, apaixonado por alguém com braços, pernas e cabeça a quem não vês o coração. Pensas que és um ser livre, de vida livre, que pode esquecer uns simples olhos que mudam de cor, meia dúzia de simples feições de sorrisos, meia dúzia de entoações de meia dúzia de palavras, e uma dúzia de semanas a matutar na mesma coisa. Mas estás enganada. Pensas que se te enganares será mais fácil, e estás certa que conseguirás esquecer. Pensas que és dona de ti, mas gostas mais dele. Pensas que estás incrivelmente, temporariamente viciada, e no fundo, não é isso. Pensas que estás a voar, que mudaste às tuas mãos, mas no fundo não é isso. Pensas que podes mudar tudo. Pensas que estás certa. Então, páras para pensar.
Descargo de consciência. Pensas que estás a levantar os pés do chão, mas estás apaixonada.

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