As frases entraram nos meus pulmões como se fossem um vírus. Um, muito contagioso, que se propagou desde os meus brônquios até a todo o resto do meu corpo, em fracções de segundos. Senti a pulsação subir-me nas veias, e pensei que não ia aguentar as dores quando me atingisse o peito. A cabeça debatia-se debilmente sobre o que me estava a acontecer, e sinceramente, não sentia nada, a não ser tristeza. A certeza estranha, de que nunca mais íamos estar como estivéssemos, mesmo se viéssemos a ser o que éramos. Estava a sofrer, pela tua dúvida e inconstância, que me martelavam os músculos debaixo dos teus pés. E agora, estou perdida. O coração dói-me. Preciso de uma bússula para me encontrar, porque já não sei onde é o norte. Já não sei se eu e tu fomos realmente a vulgaridade que sempre pensei, ou a realidade que cabia nos factos. Já não sei o que fomos, o que somos, e preciso de uma mão que me explique, porque neste momento, a minha cabeça só não chega. Mas como conseguirei pôr nas mãos de alguém, as dúvidas que guardo bem fundo, e escondo até de mim própria, há bastante tempo? Não me apunhales pelas costas. Não brinques comigo, não brinques com algo muito maior do que eu e tu sabemos. Não me partas o resto, porque ele está suficientemente dorido agora, e nem consegue pensar e executar as suas tarefas. Não me dês mais motivos para ter medo, dá-me provas de confiança, porque tenho medo de perdê-la por ti.
Estás a partir-mo juro. Não me faças isso. Eu amo-te.

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