terça-feira, 21 de dezembro de 2010


Não vale a pena sofrer mais. Já lá vai algum tempo desde a primeira vez. Algum tempo, desde a primeira conversa. Algum tempo, desde o primeiro encontro. Algum, desde a primeira mensagem. Desde a primeira palavra de consenso, desde a primeira palavra de encosto, desde a primeira palavra de dor. Passou tempo suficiente, muito tempo, se o elevarmos à escala adolescente, em que numa semana muda tudo. Passaram meses e meses, desde o primeiro tudo, desde o primeiro nada, desde o primeiro pedaço de cada coisa. E sobre todos esses dias, sobre todas essas voltas e reviravoltas, houve alguma coisa que sempre resistiu. Uma coisa bonita e enorme, pela qual nunca me interessei por tomar a forma. Um laço gigante, que tentei desatar, mas que se fez debaixo de nós. Não fui eu, não foste tu. Não foi o tempo, porque ele está cá desde o primeiro dia. Acreditas em amor à primeira vista? Talvez tenha sido só a vida, a querer tecer-nos na mesma teia. E depois que, de facto fomos bem cosidos. Olha para trás. Já demos muitos trambolhões emocionais. Já estivemos melhores, já estivemos piores. Já falámos disto, daquilo, do outro, de tudo. Já me deste a mão, e ma tiraste, como eu já te estendi os braços, e depois tos recolhi. Desculpa-me todas as peças que derrubei.
Já chorámos muito juntos, já rimos muito um do outro, sobretudo, já sorrimos e vivemos um com o outro. Ninguém pode imaginar, nesta escala de tempo abstracta, de que somos fruto de uma vida inteira lado a lado, que começou no dia em que nos vimos da primeira vez. E desde esse dia, mesmo sem nos conhecermos, sem nos suportarmos, sem nos interessarmos pela existência do outro, estávamos destinados. Estávamos previstos, num calendário que o teu coração deve ter vendido ao meu, num leilão. Eles fizeram o negócio entre eles, e temos sido bonecos, numa história feliz, que o destino nos tem feito. Mais longe, mais perto, mais passos de distância, mas o teu coração está sempre aqui. Bem perto do meu, como o meu fica do teu, quando o abraça todos os dias, para ficar todas as noites a ver-te dormir.
Já passou muito tempo, relativamente ao dia em que trocámos a primeira parvoíce. Sei o que te disse no primeiro olhar que te dei, e ainda consigo ler o que dizes nos teus olhos quando os diriges para mim. Nestes meses, tecemos o mapa um do outro, e somos o nosso próprio GPS. O sistema de posicionamento global um do outro, que nos identificaria qualquer sentimento ou necessidade mútua ou não, em qualquer parte do planisfério. Então, damos passos de gigante, e estamos aqui ou em Marte, mas está tudo igual. Diz-se que de forma diferente mostra-se de outra maneira, mas sente-se da mesma forma. Fica constante e imutável, e vive no meu coração, como vive no teu. Seja lá, qual for o sentimento que reside em cada um de nós. Então, traz a fita cola, mas só se for para colar pedaços do passado que enterramos debaixo do tapete. Rasgámos tudo aquilo que nos trazia vergonha, e esquecemo-nos que é de tudo o que nos faz vergonha, de tudo o que amámos ou construimos, que agora somos o que somos juntos. Somos nós, só nós. Dois pequenos pontos do globo, dois sentimentos a contrato, sejam eles iguais ou não. Dois amigos, que simplesmente são pólos opostos, que por mais voltas que o mundo dê, e por mais que a escala do mundo adolescente se altere, permanecem sempre igualmente imutáveis e ligados. Temo que um dia, vamos chegar ao pé um do outro, daqui a muito tempo e dizer "gostei muito de ti". E o pior, é que sei que já vai ser tarde demais. Porque sim, às vezes é tarde. É tarde, não para comer, não para estudar, não para sair. Nunca é tarde para sorrir, para viver, mas às vezes, alguns amores chegam demasiado tarde. As pessoas têm um tempo certo, para viver, para existir, e cada um de nós, chega a cada sítio na hora certa. Como naquela hora certa e perfeita, em que nos vimos pela primeira vez, e já éramos o íman um do outro. Desde que nascemos que somos pólos, que independentemente dos tempos, são o único lado direito um do outro. E é assim. O pior, que tu vais sempre queimar todas as pecinhas até à última, mesmo que gostes. Vais sempre pegar, na última pessoa em que devias, como se fosse a última coca-cola no deserto, como diz a Beatriz. Vais simplesmente, agarrar num trapo qualquer, e pô-lo no meu lugar, mas nunca me vais esquecer meu querido. Mesmo que não seja a mim, será a tudo o que tivémos, a tudo o que somos, a tudo o que fomos. Tu gostas de mim, de qualquer forma. Não sei qual é ela, mas se for a minha, parabéns, sempre soube que eras capaz de amar assim, debaixo da capa fria que tens por cima. Obrigado ainda assim, por me dares o teu coração mole, e por te desfazeres em ti próprio, sempre que passas da porta do meu coração para dentro, e falas comigo, sobre tudo o que amas, tudo o que te dói. Obrigado, por estares sempre do meu lado, e sei que ainda te vou agradecer, a mulher que ainda hei-de ser em parte um dia. Espero crescer contigo, como tenho feito, e que contes comigo, como alguém que te ama. Se um dia admitirmos tudo o que vai oculto, debaixo dos tapetes, pois bem, aqui estou eu, para ti, como na primeira vez, lembras-te? Claro que sim. Então, se um dia me disseres que me amaste como eu a ti, não vou ter pena nenhuma de ter tido apenas esta amizade contigo. Porque as cores com que a pintámos, foram de facto, as mais bonitas de todas,as que não vou poder pintar com mais ninguém, por mais anos que hajam em comum. Então, não vale a pena sofrer mais. Sabes porquê? Dei-me tudo de mim, tenho tudo de ti. Tenho aquilo que não dás àquelas com quem te metes na cama, ou àquelas que comes sempre que te apetece. Tenho a ti, na mão, cru, tu, como és, como mais ninguém te conhece. Como se calhar, não consegues ser com mais ninguém. E sabes porquê? Porque contigo sou verdadeira, e é por isso que gostas de mim. Então olha, se um dia te arrependeres de termos talvez estragado aquilo que podia ter sido bonito, desculpa, mas também tive medo. Por enquanto, com isto estou feliz. Mais longe ou mais perto, pertecemos um ao outro, e o destino vai acabar por juntar-nos como sempre fez. Então, não vou sofrer mais, por agora andares mais longe.
Por mais passos que dês, vais sempre acabar volto na minha direcção, seja lá quem for ela, que ficar à tua frente. Não vale a pena chorar. O que é nosso, acaba por vir sempre parar às nossas mãos, e o que temos, a nós pertence. Por isso, um amo-te, um até já, que esperamos que seja breve homem da minha vida. Tece a tua por ti, que ela há-de se cruzar com a minha, hoje ou amanhã. Porque os nossos corações têm contrato, porque resistimos ao tempo, porque o meu amor é imutável. E mesmo assim, obrigado pela nossa amizade enorme. Acho sinceramente, que tenho de agradecer, porque fomos feitos um para o outro.
Toma conta de mim, que eu farei o mesmo contigo. Podes dar passos para trás. Quando voltares eu estou aqui.
Vais voltar. Amo-te.

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