sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Às vezes apetece-me ser mais. Ser maior, ser mais forte. Ser mais forte, de força exterior, força para transportar qualquer objecto tridimensional, força para deixar os dedos assentes na cara de quem me irrita. Acima de tudo, ser forte. Forte de vencer, forte para lutar. Forte, de ser forte, de ser a minha força, e a tua. A de todos os outros, sempre, sem cor, nem tempo. Às vezes apetecia-me ser mais. Mais uma música bonita, mais aquilo que mais gostas, mais aquilo que mais amas. Às vezes apetecia-me ser tudo o que precisas para viver, nem que viver seja existir. Às vezes apetecia-me ser mais. Mais uma palavra certa, mais um desabafo. Mais o maior abraço, mais a maior vitória, que te esquece do maior fracasso. Às vezes apetece-me ser tua só mais uma vez, ser só a ti por um bocado. Às vezes apetece-me ser mais, e não posso. Apetece-me ser mais uma imagem bonita, daquilo que quero lembrar-me um dia. Mas mesmo assim, diz que me perdoas. Só para me confortar, só com palavras, ou chapadas de razão. Diz que me perdoas, porque eu já me meio perdoei, sendo parte de mim tu, há ainda uma algures que precisa de ser perdoada, com um perdão só por ti, de ti. Perdoa-me, porque mesmo assim não me culpo. Perdoa-me, porque dei o meu máximo, porque fiz tudo por ti. Perdoa-me porque não te falhei, e não te falharei nunca. Perdoa-me, porque sei que mesmo que não me ames de forma igual, eu não podia ter feito mais. Porque sei que fiz tudo, porque dei tudo, mais tudo. Perdoa-me agora só mais uma vez, a mim, só a mim. Perdoa-me, porque sei que não podia ter sido mais para ti.

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