sábado, 19 de fevereiro de 2011





Seguia sem saber em direcção de onde. Mas como me ensinaste, isso não importava. Importava saber, que havia vontade de avançar. De pôr uma perna em frente da outra, e depois trocar, e assim sucessivamente. Andar apenas, andar para a frente, fosse na estrada da minha rua por onde andava agora, ou pela estrada da vida, que distende por aí fora. Não importava mais nada. O cachecol a cair-me à cintura, o mp4 num jeito sem jeito, os 5º celsius em volta. E ainda assim, sabia que era o mais certo. Só a consciência, me dava um abanão pequenino, do seu jeito afiado, de quem tanto me magoa por vezes. Só ela, me fazia repensar por segundos, se não estaria melhor em casa, sozinha comigo própria. Mas não. Às vezes, é isto que temos que fazer. Pegar na música, nos pés, e sair estrada fora. Se for num dia como aquele, levem também um cachecol, um casaco grande, e eu gorro como eu fiz. Metam as luvas mais quentinhas que têm, e descansem, que o coração vai quente com as memórias que leva. Fazia-o só para ouvir a música. Para sentir o vento ferir-me a cara fria, com um bom pretexto, para pisar alcatrão num dia tão frio, que foi o escolhido ao invés do sofá da sala. Era ali que se aprendia, na rua. A ver nas coisas pequenas, as coisas grandes que não vemos. A ver que tudo, tem o tamanho que lhe damos. Tudo tem um tamanho. O real tem proporção, e se te mandares assim estrada fora, ao frio, dentro da malha e dos casacos peludos, saberás também. Arranja tempo para pensar. Para pôr os pés estrada fora, e gritar que está tudo bem. Gritar só para ti, cantar ali, ou aqui, mas lutar. Perceber que se amas é porque queres. Que o problema, não é amar, nem deixar de amar. O problema, reside no facto de o primeiro não se escolher, e o segundo ser opcional. Então, eu não escolhi amar-te. Não escolhi gostar de ti, e desejar mais as minhas mãos no teu pescoço, do que em qualquer outro. A minha boca na tua mais que a outra qualquer. Por isso dá-me um abraço. Preciso de força. Agora, por ti. É que a outra, depende da vontade. Só esquece quem quer, e quem quer consegue. O problema, é conseguir. Conseguir ter vontade, de. Sem ser só dizer da boca para fora. É sentir a ponto, de gritar sozinho ao vento, que se quer. Com 5ºC, ou menos. Seja como for, em todo todo o lado, em todos os segundos. Obrigado consciência por me morderes mais uma vez. É assim que se aprende e percebe. De frente para o vento, até ter a cara cheia de cieiro, que nos lembre todos os dias ao espelho, da decisão que tomámos. Então, hoje foi o dia que admiti a mim própria, para esquecer é preciso querer. Querer esquecer, mandar para trás das costas, desistir. Então, hoje foi o dia em que admiti a mim própria, que não te vou esquecer nunca.

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