Agora, não penso mais nisso. O problema aconteceu no passado. Ficou ali, e eu sofro com ele todos os dias. Vivo as mesmas palavras e fico feliz com as boas, vou reler as péssimas e fico triste porque não as acho más. Então é assim. Preso ao passado não se avança. Como consegues subir uma ladeira, se fores tu sozinho a empurrar o carro? Se o tens monta-te nele olha. Aproveita a viagem, e lixa-te para o resto. Estamos na fase da vida, em que tudo é de aproveitar. Estamos na fase, em que melhor podemos sentir. Então, fechei-te com amor, numa caixinha, ontem. Decidi isso agora, e não prometo não ter recaídas, pois o amor é como a toxicodependência. Mas ao menos, guardei-te ontem, por vontade própria, pela primeira vez. Amo-te, mas fica aí fechado. Guardado, e espero que a força me ajude, e correr, a sorrir, e a guardar-te fechado ao meu coração. Que consiga abraçar-te, e amar-te só como irmão, mas amar-te muito sempre, como espero fazer sempre ao máximo do que possa dar por ti. Tirando isso, chega. Parou, é a vez de amar por mim não? O problema morreu ontem. O amor, vive no passado. Tudo o que vivemos de bom, ficou lá, e pelo menos aqueles momentos não vão voltar nunca mais. Estão dentro de mim, mas nunca mais lhes vou poder ficar. Fico só a vê-los através do vidro, e a fazer-lhe festinhas com amor. Trato deles como o meu melhor, mas agora quero levá-los ao colo lá para o fundo. Para um dia abrir a gaveta, e me orgulhar de gostar tanto de ti. De viver alguma vez, a coisa mais bonita que podemos sentir por outra pessoa. Mas vivê-la com respeito por mim. Assim, estás fechado no ontem. No ontem de hoje, no ontem de ontem, no de anteontem, mas não no ontem de amanhã. Porque hoje sou eu, nova sem ti, e amanhã será assim de novo. Tu, ficaste naquilo que amo. Fechado naquilo que morre lá para trás, vivo mas imutável e intocável por quem os viveu. Então, chega de chorar e vamos viver. O nosso eu de hoje morre amanhã, e o meu eu de ontem morreu hoje.

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