terça-feira, 29 de março de 2011

O amor, é como uma embalagem pequenina. Um embrulho sensível e fraco, que devia trazer um enorme autocolante à nascença, apenas com a palavra "frágil". Ele fica assim. Pequenino e solto, desde que nasce até que morre. Ninguém o agarra por mais que corra para ele. Ninguém o pode contrariar, e quem vai contra ele, sofre as conseguências. Como se fosse a teoria do ressalto elástico, que dás em geologia; ele estica enquanto pode, mas quando o contrarias de mais, ele volta à forma original. Ou seja, não corras contra ele, porque sais aleijado. Porque será que tenho tantas nódoas à conta disto? Pois é. Contrariar o frágil pacote tem dado nisto. Tenho aparecido a casa com manchas negras, que gostava de não ter. O pior é que negra é a cor do coração, fora o mal que não se vê. Porque o amor é assim. Um embrulho pequenino, que ocupa um volume muito grande dentro de nós, sem chegar a ser visível ao miscroscópio. E não devemos contrariá-lo, nem ser ingratos pelo sentirmos pela pessoa errada. Não há pessoas erradas. Há só coisas que não são certas. E não vale a pena continuar a embrulhar as pernas e cair sobre mim própria, de cada vez que troco os pés e levo uma fisgada do laçarote que antes estava em cima do embrulho. É que quando tento revoltar-me, e atirar-to a cima, não o consigo desatar. Ele faz-me nódoas, e magoa-me, e eu não sei como. É invisível e não se vê, ninguém o apanha, ninguém o contrai, ninguém o traduz para palavras que me expliquem o porquê das coisas que me fazes. Sim, amor é uma linguagem estranha. Que quase precisa de treino e tradutor. Um idioma que gostava que soubesses falar, e que eu tento compreender atentamente, mesmo que seja uma aluna rebelde, que gosta de estar do contra. Só que eu estiquei-o além do seu limite, e agora ele deformou-se. Lutei da forma errada, ou talvez não tenha acontecido simplesmente porque não. Só sei que ele partiu, e deformou-se. Não aguentou mais, e não retomou a forma original. Agora lá dentro do embrulho está o meu coração, com mais nódoas que ontem, com mais cicatrizes que antes de ontem, e nunca mais vai ser o mesmo. Elas vão estar aqui todos os dias, como se fosse o dicionário portátil, que me ensina a ler nas tuas entrelinhas todos os dias. Por isso não vale a pena contrariar. Tu fisgaste-me com o laçarote, e agora o meu embrulho é teu, juntamente com o prazo de validade, garantia, efeitos e contra-indicações.

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