Às vezes, só gostava que pudéssemos mostrar aquilo que os outros são para nós. Gostava de poder emendar cada erro sem as palavras "fiz com boas intenção", mas sim com provas disso. Gostava de chegar ao pé de todos, aqueles que amo e que são muitos. Abrirmo-nos, parece-me quase um bem essencial. Tão básico e linear, que a natureza devia tê-lo feito connosco. Se nascemos dotados de tantas adaptações ao meio, não teriam havido já mutações de genes suficientes, ao longo de tantas gerações que permitissem uma selecção natural dos mais fortes? Tenho a certeza, seriam aqueles que conseguissem abrir-se. Aqueles que não se limitassem a ser mortais e humanos. Aqueles que além de excepcionais, como aqueles que me rodeiam e como eu faço por ser muitas vezes, são também marcos da sua própria posição no mundo. Mas porque é que não podemos abrir-nos? Para que acreditem em nós. Para às vezes só, mostrar todos os sentimentos bons, que um ser consegue possuir pelos outros. Às vezes também, porque não? Para libertar cá para fora parte do que sentimos quando o amor nos enche, atola e sufoca, como se nos agarrasse e sentíssemos quase o seu peso e tamanho, cair-nos sobre os braços da satisfação. Às vezes é assim. Não sei como dizer, mas sei que amo. Sei que amo de forma diferente muita gente. Sei que eu sou eu, cheia de coisas e sentimentos, que às vezes questiono se muita gente pode ter. Às vezes sinto-me assim, diferente. Sinto que todos somos únicos e especiais, que mostrarmo-nos e viver apenas, não chega. Sinto que os amo mais que tudo no mundo, que são excepcionais, que os magoo às vezes sem querer como eles a mim, mas que nunca lhes vou poder mostrar. E é esse o problema. Nunca saberemos, de que tamanho é o amor. Se ele tivesse uma cor, sei que seria uma para cada um de vós. Sei que cada um deles ia ser diferente, mas igualmente genial. Se o amor fosse como bolinhas quando nos abríssemos de dentro para fora, sei que todos teriam a melhor cor que o meu coração soubesse dar. E quando os voltasse de fora para dentro, regressariam felizes, por terem sido mostrados a quem pertencem, em todo o seu peso e tamanho. Porque às vezes queremos dizer, e qualquer palavra do português não chega. Porque se falarmos em amor de mãe, só saberemos o que é, a sua cor e tamanho quando o formos um dia. Ou o que é gostar realmente de um colega. Ou o que é amar verdadeiramente um amigo. Porque o peso das coisas boas, só se vê depois de abertas. Por isso é isto. Parecia-me um justo efeito, para quem gostava de dar mais aos outros. Não era tão difícil assim, que aqueles que gosto, pudessem pesar, o quanto são tão importantes para mim. E talvez assim, mostrássemos todoso melhor de nós. Porque as maravilhosas pessoas com quem crescemos, ajudam-nos a possuir depois as mais excepcionais personalidades que um humano consegue tomar. E se é excepcionais que somos e se são maravilhosas as pessoas que temos, podia-nos ser só tão genuíno e fácil abrir o coração.

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