Independentemente do factor tempo. Às vezes, acredito que independentemente de todos e de tudo o resto. Não creio que seja um show off de uma coisa qualquer, nem o início do espectáculo depois de ter fechado, em vez de ter deixado cair o pano. Nada disso. Aprecio, porque tudo é independente, só. Porque os outros deixam de existir, porque os problemas ficam do lado de fora, porque durante algum tempo, o tempo deixa de ser um factor, e sou pela primeira vez verdadeiramente independente. Justamente, independente de tudo o que nos rodeia. Todos aqueles não vivo sem, e todas aquelas coisas que não nos matam mas moem. E no fundo, toda a independência, se cruza com a realidade de que, não sendo o tempo um facto, alguma coisa o tinha de ser. Então a minha independência, torna-se curiosamente na dependência para com alguém. Alguém de quem somos dependentes, para obter a ausência de entraves, quando até o tempo deixa de ser um factor.
Não os podes vencer, junta-te a eles. A independência deixa de ser só para nós, mas é a mesma por si só, mesmo que dividida em duas partes; se bem que demasiado ligadas, para haver distinção dos possessivos meu e teu.
Independentemente do tempo. Passam-se umas horas, uns minutos, mas o relógio falou sempre baixinho para não nos incomodar. É sempre bom baixar os braços, e sentir preguiça antes de estar cansados. Cair sobre tudo o resto com confiança, como naquela sensação de que estamos a mandar-nos para trás sabendo que a outra presença que faz o nosso tempo estalar mais baixo nos vai agarrar antes de cairmos no chão. Depois, é isso e o fresco da temperatura em volta. O tempo que faz pouco barulho, e a respiração quente bem perto, para calar os arrepios que o frio em volta me trás. É toda esta a parte boa. Ser independente até do tempo, sem precisar de mais nada. Sentir que nada me pode chatear, e que estou a ouvir a minha banda preferida até cair. Que estou a ouvir Arctic Monkeys, que caí nos braços da confiança, e que não tenho de me chatear com nada. Porque parece claro que tudo deixa de existir, quando o nosso relógio fala baixinho para não nos incomodar, e quando nem a luz é suficientemente forte para nos ofuscar os olhos.
É bom, antes durante e depois. Sem tempo em nenhuma delas. É bom porque precisamos antes, porque nos enche de vida durante, e porque nos enche de orgulho depois. É bom, simplesmente porque se fecham as portas, as pessoas, os problemas, as coisas, as luzes, as cores, os sons e os ponteiros do outro lado da porta. Nem tão longe assim. Quando até os ponteiros deixam de permitir que o tempo nos incomode, nada pode sequer chegar perto além de nós. E é assim, que não vivemos mais sem. Que os preciso de se tornam demasiado básicos, e que sabemos que no Natal, nada que recebamos será tão bom quanto aquilo que temos todos os dias. É independência dependente, de ser feliz porque sim, de forma básica e indíscutivel como se fosse eu a dona da verdade incontestável. E nem é disso que se trata. Trata-se de quando os momentos começam, ser bom. De durante, ser melhor. E de quando acabam, passar-te a mão no cabelo, e pensar, porra, como pode algo tão grande caber dentro de nós, sabendo que nunca se foi tão feliz.
Às vezes gostava que chegasse mais vezes; e às vezes só gostava que durasse para sempre.

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