Ultimamente as coisas deixam-me facilmente confusa. Confusa não no sentido literal. Confusa no sentido em que, não me encontro às vezes na minha própria confusão.
Muitas vezes, é esse o verdadeiro problema. Quando o incómodo não é possuir a confusão, mas sim ela possuir-nos. Deixar-nos assim abananados, sem saber como ou por onde andamos. E no fim, andamos na mesma.
É isto o que se passa. Não sei o que ando a fazer. Acho que alimento demasiadas perguntas por minuto, ou talvez apenas me esqueça de que não preciso assim de tantas respostas. No fundo, a dúvida é apenas em que ponto estou eu; se as coisas estão bem, porque não ser completamente feliz. E nestes momentos, sinto-me tão nojentamente humana. A humanidade, é algo que deverá, integrar-nos, de todo. A humanidade claro, enquanto sinónimo de menos frieza e mais altruísmo, mesmo que assim a dor nos pese mais; ou pelo menos, a dor enquanto estado de espírito, porque um quilo de algodão pesa o mesmo que um quilo de chumbo.
O meu problema, é não percebê-los. Não perceber, todos esses estados de espírito que a humanidade nos pode trazer. Ao mesmo tempo que sei que ela deveria ser parte integrante de todos nós, sei que tudo tem pontos maus. E novamente, nem as melhores coisas seriam excepção. É por isso, que me incomoda tanto a felicidade incompleta. Aquela que todos sentimos, quando temos tudo para ser felizes, e não somos. No fundo, é esta a que todos temos. Porque há sempre algo que queríamos e não temos, e somos um tanto menos felizes por isso. Depois, lá vem a consciência. E depois, perco-me. Não me encontro uma e outra vez, e não sei com quantos mais porquês, alimentarei o complexo de complementariedade humana.
Então, é como se todos fôssemos maçãs. Como se todos pudéssemos estar verdinhos e limpos, brilhantes numa árvore bem alta, mas como se todos tivéssemos uma enorme dentada. Não como na Apple. Uma dentada grande, que não nos deixa ser completamente felizes. Então acho que é a consciência, que não nos deixa sê-lo de novo. Acho por isso, que as nossas dentadas, doem porque nós criamo-las sem ajuda de ninguém. Elas partem de nós, veêm-se por fora e por dentro, mas nós não conseguimos apagá-las. Deixam-nos confusos e sufocam-nos, deixando-nos não felizes por estar no cimo da árvore, verdes, limpos e brilhantes, mas tristes e consumidos por um complexo de insuficiência que a estupidez humana não pode deixar de possuir. É triste o egoísmo, de ter o suficiente e haver alguma coisa que nos faz ter de conformar; e ainda mais, o facto de ser a conformidade, a maior dentada nas pessoas felizes.
E todos padecemos assim de insatisfação crónica. Todos somos doentes, uns mais que outros, tendo em conta que me preocupa agora a forma como utilizo a capacidade de pensar. Às vezes somos quase maluquinhos, que já não sabemos o que perguntar a nós próprios. Outras vezes, pensamos que ainda somos só confusos, e no fundo já estamos loucos.
Irrita-me assim, que não consigamos ser felizes. Que a susceptibilidade, em vez de nos fazer respeitar os outros, nos faça querer e temer mais. Irrita-me que sejamos seres das memórias do passado ou do medos alargados de futuro, e que não sejamos suficientemente felizes com o presente; que não nos saibamos contentar em ser tudo e só aquilo que temos.
A humanidade, pois é. Um bem altruísta que todos deviam possuir, e que no fundo, arrebata em demasiado número muita saúde mental. Não por nos deixar mais susceptíveis e preocupados connosco e com os outros. Mas sim pelo medo obcessivo, pelo acontecimento das imagens mentais que a consciência nos exibe de forma tão agridoce. E é dessas perspectivas de futuro que temos medo. Temos medo do que vai acontecer, de que como vamos ficar. Da conotação que temos na vida dos outros principalmente. Temos medo, de deixar de ser uma maçã mordida, para passar a ser apenas uma dentada de alguém. E isto não acontecia se não tivéssemos consciência. Ninguém precisava de ter-nos contado, que as maçãs, também caem, também são mordidas e também apodrecem.
Humanidade -> dúvida -> medo. O que vem por bem, também nos pára.

1 comentário:
gosto do blogge sigo
Enviar um comentário