domingo, 13 de junho de 2010

Saudade(s).



Ontem, tive medo de estar louca . Pensei: "Como está ele tão longe?" Fechei os olhos . Estava em pânico . Gritei . Gritei como uma doida, chorei impreterivelmente de forma sincera . Queria parar de gritar, de chorar, mas as lágrimas caiam com a mesma força que batia com os punhos na mesa, e pontapeava a parede . Tudo isto porque quando fechei os olhos, vi tudo de novo . Vi a sua imagem . Vi o seu rosto a milimetros do meu . Vi o mesmo olhar azul consumir-me, ali tão perto, com tanta intensidade, mesmo que de forma efémera, e só queria acordar daquele pesadelo . Como pode ele exercer tanta força em mim? Sentia raiva, sentia repulsa por tudo e todos que me rodeavam . Queria-o apenas ali, de novo . 
Era incrível o meu apego a ti, a sinceridade, as brincadeiras, a preocupação, as discussões parvas. Creio que sentiria saudades tuas mesmo sem conhecer-te, e se não existisses, és uma base tão essencial que teria que inventar-te. Se eu pudesse levar-te-ia para a eternidade comigo, para todo o sempre, mesmo que o sempre não exista, para toda a minha vida. Carregar-te-ia às costas e levar-te-ia no meu coração, só para te ter perto de mim(...).
Dá-me a mão. Ele parecia cada vez mais ausente. Senti-a o partir debaixo dos meus olhos. Porque me fazes isto agora? Porque é que me levas tudo que tenho? Ele sabia. Ou pelo menos devia saber. Deixar-me ali, era levar-me tudo, levar tudo, para muito longe. Eu amo-te. Não conta? A chuva beliscava-me a pele. Parecia que o céu me ia cair em cima, que a água pesava toneladas, e me abria feridas na pele. Mas não. A única ferida que se estava a abrir ali, era um enorme buraco no meu coração. Porquê? Diz-me, porquê? Eu estava ali, inútil, diante do fim. Podia dizer-lhe o quanto amo, mas não me cabe mais nas palavras. Limitei-me a sentar-me nas pedras molhadas. Só precisava de chorar, de deixar que as lágrimas caissem, e de imadiato se unissem à chuva que caia torrencialmente sobre a minha cara. Nunca conseguirei dizer-te adeus. E ele sabia que podia voltar. Voltar as vezes que quisesse. E ainda voltou. Afinal de contas, sabia que eu iria estar a chorar sobre as mesmas pedras, manchadas de sangue. Entretanto, restava-me morrer por dentro, sem que ele percebesse.

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