(...) Sabes? Londres está linda hoje. Abri a janela do quarto com mais força que nos outros dias, porque sinto que subitamente, quase faço parte disto. É como se tivesse percebido agora, que estou a viver parte do sonho, entendes?... Parece que finalmente, me estou a encaixar. Já não há receios do que vem daqui, e não há vontade de ir embora tão depressa quando devo. Quase sinto já, que é aqui que pertenço. Talvez se a minha força de vontade e a oportunidade de, forem generosas comigo, daqui a uns anos, eu seja mais um dos milhões que correm estas ruas todos os dias. Nessa altura, tenho a certeza, vou abrir uma janela da minha casa, uma só minha por mais pequena que seja, com ainda mais força do que com esta fiz agora. Porque vai ser minha, naquela ou noutra hora. Porque aquele bocado de Londres, recortado quando olho para lá da janela, vai ser meu, todos os dias, independentemente, de quantos aqui correm, do estado do tempo, ou do meu estado de espírito. Agora resta-me percorrê-la com saudade. Sofro sempre por antecipação, enquanto tenho e provo aquilo que eu mais gosto. Bem vou-me embora. Os passos audíveis na corticite constituinte do chão no corredor, além da porta branca do meu cómodo quarto, dizem-me que está na hora do pequeno almoço, para o qual todos correm desesperadamente, ansiosos por deglutir o bacon e os ovos estrelados que eu não comeria nem à hora de almoço. Vou-me ficar pela taça de cereais e as torradas, naquilo que aqui, ainda se assemelha a um sabor a Portugal. Os hotéis gostam de nos fazer sentir em casa, e isso não é mau de todo. Londres espera-me para mais um dia perfeito. E dói pensar, que só me restam 3, para a devorar até ao último segundo, até ao último por do sol, quando o avião partir, e eu tiver de te dizer até um dia, London of my dreams.
Londres, 30 de Junho de 2009.
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