Ultimamente, falta-me a vontade para vir aqui. Aquele sítio só nosso, onde quase todos podem entrar, mas que ninguem irá compreender. Às vezes canso-me assim, de não ser compreendida. De lutar e batalhar contra as teclas, como se elas fossem as restritas culpadas de todas as más forças desta vida, quando no fundo, elas foram sempre e só, uma maneira de ir com as mãos direitas àquilo de que o coração mais quer fugir.
Tenho feito quase tudo igual. Os dias parecem-me sempre iguais, e isso assusta-me. Prometi-me no ano passado, que estas férias seriam melhores e... não foram. Sinto que nós, não estamos a viver os anos das nossas vidas. Não estamos a levar o espírito necessário, daquilo que só teremos uma vez. Mas como não sabia o que fazer, e escrever não se tornou no meu maior forte ultimamente, vou só prometer-me que este ano, vai ser como um verão. Vai ser lindo até ao fim, com dias cheios, muitos planos, os pés fora do chão, a cabeça na terra, sem o coração nas mãos, com muita chuva fria para marcar certa diferença.
Talvez seja isso que me falta. A mim, que não gosto de certos hábitos que o calor trás, e que me repulsa sentir pó no ar. Repulsa tanto, como me sentir diante de um bloqueio, que sinceramente começa a irritar a minha vontade de escrever, que agora se juntou ao bloqueio para se certificar de que não escrevo.
Andar à chuva, com os phones nos ouvidos, e umas boas botas deve resolver. Acho que pego na máquina fotográfica e vou por aí, talvez isto se resolva.
É assim, porque já não estava a aguentar. É que escrever, torna-se mais forte do que pensar. Porque quando se vê as letras, não se está só a equacionar verdades, mas também a olhá-las de frente.
Desculpa quase ter abandonado aquilo que sempre me deu a mão. Mas acho que consigo ser suficientemente louca por si só, e pensar só me deixar pior.
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