terça-feira, 15 de junho de 2010

Duas mãos cheias de nada.

[16/03/10].

Poderão 10 meses pesar tanto no coração? Parece que sim. O peso destes 10 meses, 10 meses a fio, sem intervalos, fazem a balança vacilar, e deixam-me o agora cada vez mais pesado coração aos pés. O peso não sai para o exterior, pelo contrário. A palavra tempo perde toda a sua vertente abstracta, e toma uma forma tão empírica, que ao passar pelo coração, exerce cada vez mais pressão sobre ele, compenetrando-se, aumentando a sua massa, fazendo vacilar a balança, deixando-me-o aos pés, intacto, cada vez mais reflecto de saudade, de dor. Essa mesma saudade, reflecte-se por intermédio da caneta, que acompanha o movimento da mão saudosa. A dor, está, fica vísivel nos olhos, no brilho mais intenso do que o normal, devido à felicidade de outrora, oculta por entre as lágrimas sôfregas, da qual agora apenas restam marcas. A única coisa boa que ficou, as marcas, estão a desvanescer-se. Partem nas asas do tempo, sem que nada as possa devolver ao seu lugar. Aqui, comigo. Tu acabas por distanciar-te com elas. Visivelmente, podemos estar lado a lado. Posso estar a 10 passos de ti, ou tu a 10 centímetros de mim. Mas não. Na realidade, 10 meses nos separam. Na realidade, 310 dias, 7440 horas, ou se preferires, 446400 minutos nos separam. Estamos a 26784000 segundos de distância. Estás assim tão longe? Tão longe quanto todos dizem? Porque é que ainda te sinto cá?... Sinto o teu lugar, vazio, aqui ao lado, e às vezes ainda sinto, a recordação viva das tuas acções sobre mim. Às vezes tenho medo de te esquecer, e parece que já não consigo sentir, como era aquilo que sentia quando estávamos juntos. Há 10 meses, 10 meses entendes? Dez. Duas mãos cheias. Duas mãos cheias de tudo. Duas mãos cheias de amor, de orgulho. Duas mãos cheias de ti, cheias de nós. Duas mãos cheias de lágrimas, cheias de saudade. Duas mãos cheias de palavras, cheias de tudo aquilo que amo. E no fim de tudo, tanto disto para quê? Duas mãos cheias de dor. Duas mãos cheias de nada.

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