quinta-feira, 11 de novembro de 2010


 Levou-te para longe sim. Se calhar sem mim não saberias voltar. Não tiveste culpa. Foste levada por braços, para um sítio onde não querias entrar. Não me agradeças. Também já lá estive. Sei o que isso é. Primeiro conforto. Doce como açúcar desfeito na boca. Parece algodão, daquele que compramos no super-mercado, para tirar o verniz das unhas, ou curar as feridas. Ironia. Esta sobremesa que te carregam no peito, da porta do coração para dentro, também causa feridas, mas esquece. Não vai auto-restrutar a própria carne, e nem lotes completos desse algodão onde deitas cetona ou betadine, pode tapar o buraco que isto pode fazer. Ainda se nota nos teus olhos o terror do bem-estar. Sim, é horrível. Horrível viver com a sensação, de que pode estar a acabar a qualquer momento, de que é um telhado de vidro, sob montes de pedras em bico. Quem sabe uma estalagmite à tua frente no chão da gruta para onde te levaram, pronta a ser pisada a qualquer momento, pronta a deixar cair por terra, os seus 1000 anos de formação. Aqui é igual. Ainda te sabem os lábios a açúcar? É natural. O sabor, ainda vai durar algum tempo. Não fiques em choque. Sim, essa sensação de que te deitaram em cima de penas cor de rosa, cheias de algodão, também é um dos sintomas. Não, não és um E.T.. És mais uma vítima, com quem o coração humano fez experiências, usando o teu para criar um escudo próprio. Manda abater a raíz que te quiseram inflingir. A sério. Não é isso que tu queres para a tua vida. Meses, anos de falta de vida, se queres que te seja sincera, de falta de tacto. Não dês de mais de ti em troca de nada, por troca de uma troca de ninguém. Tu queres ser feliz. Então fecha essa porta. A sério. Aproveita. Vai em frente. Tens tantos anos de vida para correr. O chão agora parece-te assustador eu sei. É frio. É duro. Não é macio, não é quente, como a pele onde antes de encostavas. Esta é uma realidade um pouco diferente, daquilo a que foste habituada na cidade da acetona e do betadine. Aqui não te põem algodão nas feridas. Aqui, estás na selva. Cada um por si, num conjunto em separado. Welcome to the world. Foi aqui que caíste. Desculpa acordar-te agora. Agarra nos anos de vida que tens pela frente, que hão-de ser muitos. Usa-os da melhor forma que possas, e esquece aquilo que te deram para trás. Fecha todas as portas, e não deixes que a corrente de ar derrube qualquer peça do teu futuropromissor. É isto que tu queres. Abre os olhos, sorri. Tens muito mais para dar. Agora és tu a lutar. A corda caiu no chão, já não está em volta dos teus pulsos. Já não é um laço que criaram, como antes lhe chamara. Agora, não interessa para nada. Segue. Corre. Grita. Luta. Faças o que fizeres, segue em frente, e não esperes por mim. Não esperes por ninguém. Vai e vence. Por mim, por nós, por ti, por eles. É isto que tu queres. Derruba o pacote de açúcar e mostra ao algodão que não precisas dele para curar as feridas. Chega de análgésicos. Chega de mentiras. O caminho é teu. Não chores. Agora vai. Tu nasceste para vencer. É hora. O tempo é hoje. Amanhã não sabes. E hoje ainda estás cá.
07/10/10.

1 comentário:

A disse...

Adoroooo, simplesmente gosto mesmo deste, amiguinha, zx.